Pintura romana retratando combate entre um homem e um leão. Novo estudo sugere que marcas em ossos pertencem a gladiador que foi morto em combate com leão — Foto: Wikimedia Commons

Um gladiador romano teria sido atacado até a morte por um leão, sugere um estudo publicado nesta quarta-feira (23) na revista científica PLOS One que analisou marcas em um esqueleto de 1,8 mil anos. Mas há pesquisadores que questionam se a figura era mesmo um gladiador ou, em vez disso, um prisioneiro condenado.

Os ossos revelam que o homem foi decapitado na hora da morte ou depois dela, e seu enterro foi feito em um cemitério na atual cidade de York, na Inglaterra, onde acredita-se que havia mais gladiadores enterrados, um fator favorável à hipótese de que ele também seria um guerreiro.

“A decapitação desse indivíduo foi provavelmente para acabar com seu sofrimento no momento da morte ou para se adequar à prática da época”, escreveram os autores no artigo. Você pode ver as marcas nas imagens dos fósseis abaixo:

Marcas nos fósseis de possível gladiador encontrado em 2004 sugerem morte por ataque de leão, segundo novo estudo — Foto: Plos ONE (2025)
Marcas nos fósseis de possível gladiador encontrado em 2004 sugerem morte por ataque de leão, segundo novo estudo — Foto: Plos ONE (2025)

O que sugere um ataque de felino é a forma e a profundidade das marcas de mordida no corpo do homem que tinha entre 26 e 35 anos na hora da morte. Escavado em 2004 e 2005, ele pode ser tanto um gladiador treinado que lutou contra o felino quanto um homem condenado à morte, que teria lutado sem armas ou amarrado a um poste.

“Há evidências de trauma cicatrizado na coleção de corpos recuperados desse local, o que sugere lutas repetidas”, disse um dos autores do estudo, Timothy Thompson, ao site Live Science sobre o cemitério de possíveis gladiadores.

Essa seria “a primeira evidência física de combate de gladiadores entre humanos e animais do período romano vista em qualquer lugar da Europa”, diz a equipe de pesquisa no artigo.

Para alguns pesquisadores que não estavam envolvidos com o estudo, os resultados são controversos. Como também destaca o Live Science, Alfonso Mañas, pesquisador da Universidade da Califórnia, acredita que o homem não poderia ter sido um gladiador porque, no Império Romano, pessoas que lutavam com feras eram prisioneiros condenados ou lutadores treinados para lutar com feras – e nenhum deles era considerado gladiador.

Ele também acredita que as marcas de dentes podem ter sido feitas por lobos, animais nativos da Grã-Bretanha, e não por um leão ou outro felino grande. Para os pesquisadores, no entanto, o felino teria sido levado do norte da África para York, já que não na Inglaterra não há uma fauna nativa de grandes felinos.

(Por Redação Galileu)

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