Imagem de satélite da Nova Zelândia, que ilustra uma das raras áreas do continente Zelândia que podem ser vistas acima da superfície do oceano — Foto: Wikimedia Commons

Na escola, a gente aprende que o planeta possui seis continentes: América, África, Ásia, Europa, Oceania e Antártida. Mas essa divisão não é absoluta, e retrata apenas uma convenção. Na prática, isso significa que, a depender do especialista e dos fatores geográficos, culturais e políticos, a leitura do mapa pode mudar.

Considerando o ponto de vista geológico, por exemplo, em que os continentes são definidos como áreas de crosta com elevação em relação ao fundo oceânico, composição mineral e limites bem definidos, o número de regiões salta para sete: América do Norte, América do Sul, Eurásia, África, Antártida, Austrália e Zelândia. Este último continente, inclusive, foi reconhecido oficialmente apenas em 2017.

Também chamada de Te Riu-a-Māui, trata-se da porção mais jovem e fina da Terra. Os cientistas calculam que ela possui cerca de 5 milhões de km² de extensão, no entanto, 95% do seu território se encontra escondido debaixo d’água. Praticamente só o que se vê na superfície é a Nova Zelândia e a Nova Caledônia, o que lhe rendeu o apelido de “continente perdido”.

Nova proposta de divisão dos continentes, que considera a Zelândia como uma porção independente da Oceania — Foto: Nick Mortimer
Nova proposta de divisão dos continentes, que considera a Zelândia como uma porção independente da Oceania — Foto: Nick Mortimer

Investigação de Zelândia

Para ampliar os conhecimentos sobre esse “novo” continente, Nick Mortimera, pesquisador da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, propôs uma revisão de boa parte da literatura dedicada à sua história tectônica, estrutura de crosta e evolução geológica. Os resultados foram descritos em artigo publicado na revista New Zealand Journal of Geology and Geophysics nessa terça-feira (17).

“Durante a maior parte dos últimos 500 milhões de anos, a Zelândia fez parte do supercontinente meridional de Gondwana. Então, 85 a 60 milhões de anos atrás, ela se separou do que hoje é a Austrália para se tornar seu próprio continente”, explica Mortimera, em comunicado. “Desde seu ponto máximo de submersão, há 25 milhões de anos, movimentos nos limites das placas formaram as Ilhas Norte e Sul.”

Infográfico que ilustra a separação da Zelândia de Gondwana há 85 a 60 milhões de anos — Foto: Nick Mortimer
Infográfico que ilustra a separação da Zelândia de Gondwana há 85 a 60 milhões de anos — Foto: Nick Mortimer

A Zelândia se destaca dos outros continentes da Terra por possuir apenas massas de terra muito pequenas com plataformas continentais submarinas muito largas. É por isso que grande parte da região está submersa em comparação às outras porções, as quais são mais caracterizadas por grandes massas de terra e plataformas continentais submarinas estreitas.

O continente fica na fronteira entre as placas tectônicas do Pacífico e da Austrália, o que explica porque terremotos e vulcanismo explosivo são frequentes em certas regiões do seu território. Para Mortimera, isso torna a Zelândia um recurso valioso para a compreensão do risco de desastres naturais futuros, bem como do passado geológico do planeta.

Continuação do projeto

Embora a Zelândia como continente seja uma hipótese existente há quase 150 anos, só recentemente foi possível reunir todas as evidências necessárias para confirmá-la. Mortimer defende que isso se deve em grande parte graças ao advento das tecnologias de satélite e dos dados geológicos marinhos, e que a tendência são mais descobertas a partir de agora.

“Já conseguimos responder a muitas perguntas do tipo ‘o quê, quando e como’, mas muitos ‘porquês’ a respeito da Zelândia ainda são desconhecidos”, lembra o pesquisador. “‘Por que o supercontinente Gondwana se fragmentou?’ e ‘Por que existem tantos vulcões extintos espalhados pelo seu território’ seguem sendo questionamentos que pretendemos investigar no futuro”.

(Por Arthur Almeida)

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