(Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

Mato Grosso encerrou 2025 com um dado preocupante.

No ano passado, o Estado registrou 53 feminicídios, o maior número desde 2021, quando 43 mulheres foram mortas em razão do seu gênero e em decorrência da violência doméstica e familiar, por discriminação ou menosprezo.

A quantidade só é menor que em 2020, quando ocorreram 62 feminicídios, conforme o Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado (MP-MT) e que tem como base dados da Polícia Civil de Mato Grosso.

Em 2022, foram 47 casos e, no ano seguinte, 46.

Em 2024, ocorreram 47 crimes deste tipo, o que representa uma taxa de 2,5 casos por 100 mil habitantes.

Esse índice colocou Mato Grosso, pela segunda vez consecutiva, com a maior taxa proporcional de feminicídios do país no ano passado, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Dentre as 53 vítimas, o Observatório Caliandra mostra que somente sete mulheres tinham medidas protetivas contra o agressor, sendo que a maioria dos crimes foi praticada por companheiros (22), seguidos de ex-companheiros (10).

No demais registros, a relação era do tipo familiar (4); casual (4); namorado (3) e sem vínculo (3).

Localizado a 503 km ao Norte de Cuiabá, Sinop liderou o ranking de feminicídios, com seis casos no ano passado.

Na Capital, quatro mulheres foram assassinadas em razão do seu gênero.

Também foram registrados casos em Várzea Grande (3), Lucas do Rio Verde (3), além de outros municípios como Cáceres, Guarantã do Norte, Nobres, Rondonópolis, Sorriso e Cotriguaçu.

De acordo com o monitoramento, junho foi o mês mais violento para as mulheres, com 10 mortes, seguido de maio (7) e outubro (6).

Com 17 mortes, a quinta-feira foi o dia da semana com mais ocorrência o longo do ano, assim como o período noturno (25), seguido do matutino (16) e vespertino (12).

No país, até novembro de 2025, ocorreram 1.331 feminicídios, conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Até então, esse número representa um aumento de 1,45% comparado a 2024.

São quatro vítimas por dia, segundo o levantamento.

Governo de Mato Grosso tenta melhorar combate à violência contra a mulher e fortalecer a rede de proteção às vítimas no Estado. (Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil)

GABINETE DE ENFRENTAMENTO 

Diante do cenário alarmante, o Governo do Estado anunciou, em novembro passado, a instituição do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres.

O objetivo é integrar ações que visam endurecer o combate à violência contra a mulher e fortalecer a rede de proteção às vítimas no Estado.

Outras medidas lançadas são a implantação na grade curricular do combate à violência doméstica de forma interdisciplinar no ensino médio das escolas estaduais; publicação do Plano Estadual de Metas com estratégias de combate à violência doméstica e familiar no Estado; e aumento do auxílio do programa “Ser Família Mulher” para R$ 800 por mês: atualmente o auxílio é de R$ 600.

O valor é destinado às mulheres vítimas de violência doméstica que possuem medida protetiva, com objetivo de auxiliar as vítimas a deixarem o ambiente de violência.

O Estado também garante ter ampliado a Patrulha Maria da Penha de duas unidades em 2018 para 41 no ano passado; a Delegacia da Mulher de 7 em 2019 para 9 em 2025; implantado 28 Núcleos Especializados; implantado o plantão de atendimento 24 horas para as vítimas de violência doméstica e sexual, com mais 38,8 mil vítimas atendidas desde 2020; lançado aplicativos SOS Mulher e Botão do Pânico, entre outros.

(Fonte: Diário de Cuiabá)

 Sinop liderou o ranking de feminicídios, com seis casos no ano passado. (Foto: Lourival Fernandes / Diário de Cuiabá)
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