A Idade do Ferro começou por volta de 1.200 a.C., e ficou marcada pelo desenvolvimento de ferramentas e armas feitas de aço e ferro que impulsionam a agricultura e a guerra em diferentes povos — Foto: Martijn.Munneke/Wikimedia Commons

O vírus que causa a roséola infantil, conhecido como HHV-6B (Herpesvírus Humano 6B) infecta cerca de 90% das crianças até os dois anos de idade, causando muitas das febres que são comuns aos bebês. Uma nova pesquisa, liderada pelas Universidades de Viena (Áustria) e de Tartu (Estônia), indica que a história entre o HHV-6B e a espécie humana é mais antiga do que se imaginava, remontando a infecções ocorridas durante a Idade do Ferro.

Restos mortais humanos coletados por toda a Europa durante a Idade do Ferro (que começou por volta do ano 1200 a.C a 1000 d.C), revelaram a presença de genomas de antigos herpesvírus humanos 6A e 6B (HHV-6A/B). Um novo estudo publicado em 2 de janeiro na revista científica Science Advances, esses vírus não só coexistiram com humanos por milênios, como também se inseriram nos seus DNAs de modo permanente.

Febre que não vai embora

Como muitos outros vírus, os HHV-6 infectam seus hospedeiros e, posteriormente, permanecem “adormecidos” no organismo. O diferencial desse grupo é a sua capacidade, em raros casos, de inserir seus códigos genéticos nos cromossomos humanos, de forma que eles possam ser transmitidos hereditariamente.

Para se chegar a uma primeira evidência genética de que esses vírus possuem uma trajetória milenar junto aos humanos, os cientistas examinaram quase 4 mil amostras de esqueletos provenientes de sítios arqueológicos em toda a Europa, diz comunicado.

Com os dados genéticos obtidos, foi possível reconstruir onze genomas virais antigos, incluindo um proveniente de uma jovem que viveu na Itália durante a Idade do Ferro (1100 – 600 a.C).

Os outros indivíduos identificados como portadores do DNA viral foram pessoas que viveram na Inglaterra medieval, na Bélgica e na Estônia. Amostras da Itália e da Rússia do início do período histórico também foram descobertas.

Cientista do laboratório da Universidade de Tartu extraindo DNA dos esqueletos antigos — Foto: Divulgação/Laboratório de DNA Antigo do Instituto de Genômica da Universidade de Tartu
Cientista do laboratório da Universidade de Tartu extraindo DNA dos esqueletos antigos — Foto: Divulgação/Laboratório de DNA Antigo do Instituto de Genômica da Universidade de Tartu

“(…) apenas cerca de 1% carrega o vírus, herdado dos pais, em todas as células do corpo. Esses 1% de casos são os que temos maior probabilidade de identificar usando DNA antigo, o que torna a busca por sequências virais bastante difícil. (…) a evolução do vírus agora pode ser rastreada por mais de 2.500 anos na Europa, usando genomas dos séculos 8 a 6 a.C. até os dias atuais”, diz Meriam Guellil, pesquisadora da Universidade de Viena e principal autora do estudo, em comunicado.

Adaptações evolutivas

Pela análise dos genomas recuperados, os pesquisadores puderam determinar diferentes informações. Vários indivíduos ingleses, por exemplo, eram portadores de formas hereditárias do HHV-6B, o que fez deles os mais antigos hospedeiros conhecidos de herpesvírus humanos integrados a cromossomos.

Ao comparar informações dos antigos genomas com dados modernos, também foi possível estipular “linhas do tempo” virais e observar alterações evolutivas desses antígenos. Enquanto o HHV-6A parece ter perdido sua capacidade de se integrar ao organismo humano ao longo do tempo, o HHV-6B seguiu com a propriedade ao longo de milênios.

“Dados genéticos modernos sugeriam que o HHV-6 pode ter evoluído com os humanos desde nossa migração da África. Esses genomas antigos agora fornecem a primeira prova concreta de sua presença no passado remoto da humanidade”, afirma Guellil.

(Por Fernanda Zibordi)

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