O comprimento varia entre machos, que podem chegar a 11,3 mm, e fêmeas, que são maiores, chegando a 14 mm de tamanho — Foto: Luiz Fernando Ribeiro

Sempre cabe mais um, tal qual um coração de mãe. Apesar do grande número de espécies de animais já identificadas, as dimensões continentais do país sempre permitem que a descoberta de novas espécies aconteça, aumentando a biodiversidade nacional. A mais recente, publicada nesta quarta-feira (10) na PLOS One, é sobre uma nova (e minúscula) espécie de anfíbio laranja que tem, em média, 11 milímetros de tamanho – metade do diâmetro de uma moeda de 5 centavos de real.

O simpático sapinho-abóbora (Brachycephalus lulai) foi encontrado na Floresta Ombrófila Densa Montana, nas localidades de Pico Garuva e Monte Crista, no município de Garuva, Santa Catarina. Seu nome faz referência à Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil. A equipe que assina o achado reúne pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Não foi fácil encontrar a nova espécie. Para além do tamanho – que, segundo as medições, varia entre 9 e 14 mm, a depender da idade e sexo –, os sapinhos são espécies micro-endêmicas, o que quer dizer que eles são encontrados em áreas muito restritas, em épocas igualmente bem determinadas. De forma a evitar o estresse e a minimizar a vulnerabilidade desses anfíbios, os cientistas analisaram a região durante anos.

Sapinho só no tamanho

O sapo-pulga – como também passou a ser chamado – pertence ao gênero Brachycephalus. Desde os anos 2000, esse grupo tem experimentado um significativo salto na sua diversidade, com 35 espécies já reconhecidas e catalogadas pelos cientistas.

Mesmo que não chame a atenção pelo seu tamanho, a nova espécie sabe marcar presença. Estes anfíbios miniaturizados e de hábitos diurnos são distinguidos pela sua peculiar coloração: geralmente um laranja brilhante com pequenos pontos irregulares nas cores verde e marrom, identificadas nas laterais do corpo e na barriga.

Espécie pode ter diferentes combinações de cores, geralmente mantidas entre o laranja, os tons esverdeados e o marrom — Foto: Luiz Fernando Ribeiro
Espécie pode ter diferentes combinações de cores, geralmente mantidas entre o laranja, os tons esverdeados e o marrom — Foto: Luiz Fernando Ribeiro

O que de fato captou o interesse dos cientistas – e que, consequentemente, os levou a identificar a espécie – foi a diferente canção de acasalamento por eles emitida. Segundo os autores, os sapinhos cantam em grupos de duas rajadas curtas de som, algo bem diferente daquilo que já tinha sido observado em outras espécies do mesmo gênero.

E, por se tratar de uma nova espécie no gênero Brachycephalus, os pesquisadores também utilizaram uma série de ferramentas e técnicas que garantissem que o sapo laranja era, de fato, diferente. Isso incluiu tomografias computadorizadas para analisar a estrutura esquelética e análises de DNA.

Conservação

Identificada e catalogada, agora é preciso que a nova espécie seja conservada. Para isso, os cientistas têm apelado para esforços imediatos com ações práticas.

“Buscamos incentivar a expansão de iniciativas de conservação voltadas para a Mata Atlântica como um todo e, em particular, para os sapos-miniaturizados altamente endêmicos do Brasil. Propomos a criação do Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Serra do Quiriri para proteger esta e outras espécies endêmicas, sem exigir a aquisição de terras privadas pelo governo”, afirmaram.

Também foi proposto que o sapo-pulga fosse classificado como uma espécie “Pouco Preocupante”, apesar da sua distribuição geográfica ser bem limitada. Esta proposta surge frente aos declínios populacionais contínuos observados entre os membros da espécie que, mesmo alarmantes, não são ameaças tão urgentes que o qualificariam como uma espécie ameaçada no futuro próximo.

O epíteto específico da nova espécie, “lulai”, é uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Luiz Fernando Ribeiro
O epíteto específico da nova espécie, “lulai”, é uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Luiz Fernando Ribeiro

O monitoramento contínuo dos sapos também é necessário. Dessa maneira, os pesquisadores poderão detectar quaisquer ameaças que possam ocorrer no local onde as espécies vivem. Eles também planejam realizar pesquisas adicionais em habitats montanhosos semelhantes e adjacentes para, assim, verificar se esses pequenos animais têm uma distribuição mais ampla.

(Por Júlia Sardinha)

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