Até mesmo o mamífero terrestre mais rápido do mundo enfrenta dificuldades de sobrevivência, incluindo a destruição de seu habitat e a diminuição de populações pelo mundo. Hoje, os guepardos (Acinonyx jubatus) vivem em apenas 9% de todas as áreas da África, bem como da Ásia Ocidental e Meridional, que eram historicamente ocupadas por eles. O pior dos cenários para esse animal está na Península Arábica, onde a espécie é considerada praticamente extinta desde a década de 1970.
Mas recentes descobertas podem dar um final feliz para essa história. Nesta quinta-feira (15), a revista Communications Earth & Environment publicou um estudo sobre como sete guepardos mumificados podem abrir caminho para a reintrodução do animal na região — sobretudo da subespécie asiática (Acinonyx jubatus venaticus), a única presente na Arábia Saudita e criticamente ameaçada de extinção, com apenas cerca de 50 a 70 indivíduos conhecidos vivendo na natureza.
A descoberta de sete múmias — encontradas em diferentes cavernas no norte da Arábia Saudita, próximas de restos esqueléticos — proporcionou uma valiosa oportunidade para elucidar a história evolutiva desses felinos.
Repovoamento
Após encontrar os guepardos mumificados, os pesquisadores aplicaram datação paleontológica e sequenciamento genômico para estabelecer o contexto temporal e inferir as subespécies presentes em diferentes períodos.
As sequências genômicas completas mostraram que apenas o indivíduo mais jovem se agrupou com Acinonyx jubatus venaticus, enquanto as amostras mais antigas — com idades de 4 mil anos — se agruparam com o guepardo da África Ocidental, Acinonyx jubatus hecki. A equipe concluiu que a reintrodução de guepardos na Arábia pode usar a subespécie mais próxima dos animais descobertos.
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O guepardo ocupou a Península Arábica entre 1838 e 1977. A evidência mais recente é de uma fêmea adulta abatida por um caçador local em Omã. Esse registro apoia outros dados que confirmam a presença histórica desses animais também na Arábia Saudita, Iêmen, Kuwait, Iraque, Jordânia e na Palestina.
As principais razões para o desaparecimento do guepardo na região incluem a perda e fragmentação do habitat, a diminuição das presas, o conflito entre humanos e animais selvagens, a caça não regulamentada e o comércio de guepardos como animais de estimação ou para caça esportiva.
À beira da extinção, a Arábia Saudita estabeleceu políticas de conservação, como mais de 10 áreas de proteção, programas de educação comunitária e uma agência governamental que combate crimes contra a vida selvagem.
Segundo os pesquisadores, as subespécies encontradas viabilizam o restabelecimento do animal no país, pois uma maior variedade genética torna a reintrodução mais viável. Eles também sugerem que métodos com DNA antigo de espécimes semelhantes podem orientar planos de repovoamento de outras espécies.
(Por Júlia Sardinha)

