Vários animais pré-históricos tinham tamanhos corporais que hoje seriam inimagináveis. Uma atmosfera mais rica em oxigênio e uma maior abundância de espaço e vegetação foram fatores que colaboraram para a existência de preguiças, tubarões e até cangurus gigantes.
Os cangurus pré-históricos podiam atingir até 250 kg e, ainda assim, eram capazes de saltar como espécies que encontramos hoje em dia – que chegam a pesar no máximo 90 kg. Foi isso que concluíram cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, ao combinarem medições de cangurus vivos com evidências diretas de ossos fósseis.
Os pesquisadores notaram que marsupiais antigos também tinham a habilidade de pular por aí. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports no dia 22 de janeiro e vai contra a teorias anteriores de que o salto desses gigantes seria mecanicamente impossível com peso corporal acima de 150kg.
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Ossos resistentes para saltos
De acordo com as análises de fósseis, os cangurus gigantes tinham realmente os ossos dos pés mais curtos e grossos, o que é importante para aguentar fortes impactos. Seus ossos do calcanhar eram largos ao ponto de suportarem tendões bem mais grossos que o de cangurus modernos.
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“Estimativas anteriores baseiam-se simplesmente na ampliação de cangurus modernos, o que pode significar que estamos ignorando diferenças anatômicas cruciais”, observa Megan Jones, coautora do estudo, em comunicado. “Nossas descobertas mostram que esses animais não eram apenas versões maiores dos cangurus de hoje; eles tinham uma estrutura corporal diferente, que os ajudava a lidar com seu tamanho enorme”.
Ainda assim, ter a anatomia ideal para saltar não significa que esses marsupiais se deslocavam essencialmente dessa forma. Segundo Katrina Jones, também coautora do estudo, ter tendões mais grossos implicaria possuir menos energia elástica, de forma que esses cangurus tivessem uma movimentação mais lenta. Logo, o salto poderia estar associado a situações esporádicas de “saltar para atravessar terrenos acidentados rapidamente ou para escapar do perigo”.
Diversidade de espécies extintas
Outro avanço realizado pelo estudo vai além de saber como os antigos cangurus se locomoviam. De acordo com Robert Nudds, um dos autores da pesquisa, foi identificado o costume de certas espécies pré-históricas de se alimentar de brotos, um nicho ecológico não mais observado nos grandes cangurus atuais.
Essas descobertas, segundo o pesquisador, colaboram para o conhecimento de que a diversidade ecológica da Austrália pré-histórica era mais ampla do que a encontrada hoje.
(Por Fernanda Zibordi)
Uma representação do que teria sido um canguru da família Sthenurinae, grupo já extinto que apresentava focinhos curtos — Foto: Megan Jones/Scientific Reports

