Cobra — Foto: Pixabay via Pexels

Publicado este mês na revista Open Biology da Royal Society, um estudo traz novas respostas a respeito da impressionante capacidade de jejum das cobras. O segredo está por trás da grelina, hormônio que regula o apetite, a digestão e o armazenamento de gordura. Cobras – bem como camaleões e alguns lagartos – não têm mais grelina no organismo, nem a enzima responsável por seu funcionamento.

Cientistas da Universidade do Porto analisaram genomas de 112 espécies de répteis. Em 32 espécies de cobras, a grelina não existe ou encontra-se muito deformada por mutações. “Estávamos obtendo fragmentos, apenas pequenos pedaços da sequência”, explica Rui Resende Pinto, coautor do estudo, para o portal Science.

As análises mostram que a enzima MBOAT4, responsável pelo funcionamento da grelina, também não está presente no organismo de cobras, camaleões e da agama-de-cabeça-de-sapo.

A falta do hormônio faz com que os animais não sintam fome, mas as vantagens vão além. De acordo com Rui Resende Pinto, sem grelina e MBOAT4, esses répteis podem conseguir preservar suas reservas de energia por mais tempo. Isso faz com que permaneçam em modo de baixo consumo por meses, ou até um ano, entre as refeições.

O estudo pode ajudar a ciência a compreender melhor como a grelina atua no organismo de outras espécies – incluindo seres humanos. Esse hormônio foi descoberto há menos de 30 anos e, desde então, a indústria farmacêutica tem muito interesse em desenvolver novas tecnologias relacionadas à grelina para inovar os tratamentos de perda de peso.

(Por Redação Galileu)
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