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Por Cíntia Procópio

Durante muito tempo, o melasma foi tratado como um problema exclusivamente do rosto. E é verdade que ele aparece com mais frequência na testa, nas bochechas, acima do lábio. É ali que incomoda primeiro, que chama atenção nas fotos, que vira motivo de consulta.

Mas a medicina já descreve há anos uma apresentação menos comentada: o melasma extrafacial. Ele existe, está na literatura médica e merece o mesmo cuidado e atenção.

Ele pode surgir nos braços, no colo, nas costas, nas pernas. Em áreas que recebem sol ao longo da vida e que, muitas vezes, nunca foram protegidas com o mesmo rigor dedicado à face.

No consultório, é comum que o paciente chegue preocupado com as manchas do rosto. Mas durante o exame dermatológico completo, quando avaliamos a pele de forma global, outras áreas revelam o que muitas vezes passa despercebido no dia a dia. O antebraço discretamente escurecido, o colo manchado, o dorso das mãos com pigmentação irregular.

Não é raro que a própria paciente se surpreenda ao perceber que aquilo também é melasma.

O melasma extrafacial costuma aparecer em regiões cronicamente expostas à luz e ao calor. Antebraços e a região cervical são áreas clássicas. Em mulheres acima dos 35 ou 40 anos, especialmente após gestações ou uso prolongado de hormônios, essas manchas podem surgir de forma lenta, progressiva e silenciosa.

Diferentemente do rosto, onde o desenho tende a ser mais simétrico e reconhecível, fora da face ele pode apresentar contornos menos definidos e tonalidade mais difusa, o que muitas vezes leva à confusão com outras hiperpigmentações solares. E quando o diagnóstico não é preciso, o tratamento também não será.

É importante entender que o melasma não é apenas uma mancha causada pelo sol. Ele resulta de uma interação complexa entre predisposição genética, estímulos hormonais, radiação ultravioleta, luz visível e calor. O calor, inclusive, é um fator frequentemente subestimado. Ambientes quentes, exposição prolongada ao sol, atividade física ao ar livre e até superfícies que irradiam calor mantêm os melanócitos em constante ativação.

E é exatamente aqui que faço um alerta importante neste momento do ano.

Depois do carnaval, é muito comum observar intensificação das manchas. Dias consecutivos de exposição solar, blocos de rua, praia, piscina, fantasias que deixam braços e colo descobertos, reaplicação inadequada de protetor e suor excessivo criam o cenário ideal para o surgimento ou piora do melasma, inclusive fora do rosto.

Muitos pacientes relatam que a pele escureceu de forma repentina. Na verdade, não foi repentino. Foi o acúmulo de estímulos.

Tratar o melasma fora do rosto costuma ser mais desafiador. A pele corporal responde de maneira diferente. Algumas áreas são mais espessas, outras mais reativas. Nem todos os ativos ou tecnologias indicados para a face podem ser aplicados da mesma forma no corpo. O manejo precisa ser individualizado e criterioso.

Há tratamento. Há controle. Mas existe uma palavra central: prevenção.

No pós-carnaval, é fundamental redobrar a fotoproteção também nas áreas corporais expostas, investir em barreiras físicas quando possível e utilizar ativos clareadores prescritos corretamente. A pele precisa de pausa, reparo e constância.

O carnaval passa. O brilho e a energia ficam na memória. Mas a pele pode guardar marcas se não for protegida.

Cuidar agora é evitar que a festa deixe registros indesejados. Porque, quando falamos de melasma, a melhor estratégia ainda é impedir que ele se intensifique. E isso começa no dia seguinte à folia.

Cíntia Procópio é dermatologista, especialista em rejuvenescimento com naturalidade. CRM: 5156 / RQE 2711

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do News MT

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