Duas mulheres denunciaram maus-tratos, agressões verbais e negativa de atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Leblon, localizada na Avenida Osvaldo da Silva Corrêa, no bairro Jardim Leblon, em Cuiabá. O caso ocorreu durante uma tarde e noite de espera que, segundo as pacientes, foi marcada por desorganização, grosseria por parte de profissionais e dificuldades para obter atendimento e medicação prescrita.

De acordo com o relato, o primeiro episódio ocorreu logo na recepção, por volta das 15h, quando uma funcionária da secretaria informou que o atendimento e a realização de exames só poderiam ocorrer mediante apresentação do cartão físico do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, conforme estabelece a Portaria nº 940/2011 do Ministério da Saúde, a ausência do cartão não pode impedir o atendimento, especialmente em casos de urgência e emergência, sendo garantido o princípio da universalidade e a realização de cadastro no momento do atendimento. Entretanto para realizar o exames posteriormente prescritos na própria unidade, foi necessária que uma das pacientes apresentasse o cartão do sus, caso contrário a enfermeira se negou a tirar o sangue.

As pacientes relataram que o ambiente apresentava sinais de precariedade, com painéis quebrados e desorganização, além de uma longa espera. Uma das mulheres afirmou que, ao ser chamada pelo médico, não recebeu exame clínico adequado. Segundo o relato, o profissional teria prescrito medicação e concedido alta sem realizar perguntas ou avaliação detalhada, sendo necessário que a própria paciente insistisse na realização de exames de raio-X e sangue, visto que seu quadro já perdurava mais de 15 dias.

O atendimento completo, incluindo triagem, consulta e exames, levou cerca de sete horas. Durante esse período, segundo as denunciantes, o comportamento de médicos e funcionários foi marcado por grosseria e tratamento desrespeitoso, não apenas com elas, mas também com outros pacientes presentes na unidade, incluindo mulheres com crianças de colo e idosos.

O episódio mais grave, segundo as pacientes, ocorreu no momento da retirada de um medicamento prescrito pelo próprio médico da unidade. Ao se dirigirem à farmácia da UPA, as mulheres afirmam que tiveram o acesso negado por funcionários do local.

“A farmácia está aberta 24 horas, mas damos prioridade aos internados que são mais importantes”, afirmou a farmacêutica Enezilda. Em seguida, ela acrescentou: “eu estou aqui só eu e ela e não posso parar de atender o paciente internado para atender o seu caso”.

Ainda conforme o relato, a profissional teria encerrado a conversa de forma ríspida, dizendo: “Estou perdendo tempo falando com você, eu não tenho nem cinco minutos para você,”

Uma funcionária que presenciava a situação se manifestou em defesa da farmacêutica, afirmando:

“Vocês tem que entender que a culpa nao é nossa. Nós estamos sobrecarregados, ninguém gosta de trabalhar sobrecarregado, por isso que está desse jeito”, revelou.

Diante da negativa, as pacientes buscaram a Secretaria Geral da unidade. Segundo o relato, a responsável, identificada como Jaqueline, não permitiu ser gravada e não conseguiu resolver a situação. Ao retornarem à farmácia, já sob outro plantão, as pacientes afirmam que foram novamente tratadas de forma agressiva pelo farmacêutico responsável.

“Vocês podem procurar o postinho de saúde. ” disse o profissional, entretanto as pacientes haviam sido encaminhadas justamente do Posto de Saúde do bairro Despraido onde não havia nenhum médico para atendimento, mostrando sem delongas, as falhas na administração da saúde na cidade de Cuiabá

Quando informaram que o medicamento havia sido prescrito pelo próprio médico da unidade, o farmacêutico respondeu: “Então pede pro médico vim aqui buscar já que ele sabe tanto”

Ele também declarou: “Se eu for atender todo mundo que falar é só o meu nunca vou sair daqui…Daí se você quiser saber o regimento disso você terá que procurar a lei, isso é uma coisa interna nossa, nós temos os pacientes internados e eles que são a nossa prioridade, se o coordenador quiser mudar não tem problema, se eu não fizer a medicação de todos os pacientes internos eu não posso jantar”

Ao ser questionado sobre a responsabilidade, o profissional respondeu: “Isso é problema seu!”

Uma das pacientes afirmou que a situação reflete falhas mais amplas na gestão da saúde pública municipal.

“Isso mostra como tem sido tocada a saúde na gestão do Prefeito Abilio Brunini, essa não foi a primeira vez que buscamos uma unidade da UPA nos últimos dias, e que todas estavam sempre abarrotadas de pessoas, com atendimentos horríveis em coordenações totalmente arbitrárias, poucos médicos, e os poucos muito grosseiros e incapacitados”, revelou.

As denunciantes afirmam que buscaram atendimento por necessidade médica e esperavam um tratamento digno e humanizado. O caso levanta questionamentos sobre as condições de atendimento, a organização interna da unidade e o cumprimento das normas que garantem o acesso universal à saúde pública.

Até o momento, não houve posicionamento oficial da direção da unidade sobre as denúncias, embora a Secretaria Geral tenha alertado as pacientes:

“Se foi uma situação que gerou constrangimento, abram uma auditoria”, finalizou sem ter feito absolutamente nada.

42 Visitas totales
32 Visitantes únicos