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A deputada federal Gisela Simona protocolou representação formal junto à Executiva Estadual do União Brasil, solicitando a expulsão do vereador de Aripuanã, Luciano Demazzi, após uma série de ataques considerados pessoais, misóginos e ofensivos contra a prefeita do município, Seluir Peixer Reghin (ambos filiados à legenda).

Segundo a parlamentar, as manifestações feitas pelo vereador nas redes sociais e em declarações públicas ultrapassam o campo da crítica administrativa e configuram, em tese, violência política de gênero, conforme previsto no artigo 326-B do Código Eleitoral.

O dispositivo, incluído pela Lei nº 14.192/2021, tipifica como crime atos que tenham por objetivo impedir ou dificultar o exercício dos direitos políticos da mulher, podendo resultar em pena de até quatro anos de reclusão, além de multa.

De acordo com a representação, as publicações tiveram início no último dia 11 de fevereiro e incluem referências ao tratamento oncológico realizado pela prefeita, insinuações sobre sua vida pessoal e questionamentos à paternidade de seus filhos, além de supostas associações com atividades criminosas. Acusações que atentam contra sua honra, imagem e dignidade enquanto mulher e agente pública.

Diante da gravidade das declarações, a prefeita registrou boletim de ocorrência e apresentou queixa-crime por calúnia, injúria e difamação. Mesmo após as medidas judiciais, os ataques teriam continuado.

Para Gisela Simona, que também preside a executiva do União Brasil Mulher, a permanência de condutas dessa natureza dentro do partido compromete não apenas a imagem da legenda, mas o próprio compromisso institucional com o enfrentamento à violência política de gênero.

“Não vamos admitir violência política de gênero. Como mulher, deputada federal e presidente-executiva do União Brasil Mulher, apresentei o pedido de expulsão pelos graves ataques feitos contra a prefeita Seluir. É inaceitável tentar desqualificar uma mulher com insinuações machistas e ofensivas”, afirmou.

A representação pede a abertura de processo ético-disciplinar com aplicação da penalidade máxima prevista no Estatuto do partido: o cancelamento da filiação. O documento cita dispositivos internos que vedam ataques à honra de filiados e condutas incompatíveis com os princípios partidários, além de destacar possível enquadramento criminal.

Gisela Simona reforçou que a violência política contra mulheres eleitas é uma prática historicamente utilizada para constranger, silenciar e deslegitimar lideranças femininas.

“Já é difícil ser mulher na política. Não podemos naturalizar ataques que buscam diminuir, humilhar ou intimidar. Eu já sofri esse tipo de violência e não irei me calar diante de mais um caso”, declarou.

*Outro lado*

Em manifestações anteriores, o vereador Luciano Demazzi afirmou temer por sua segurança após realizar críticas à gestão municipal. Ele sustenta que os questionamentos tratam de supostas irregularidades administrativas, incluindo despesas superiores a R$ 1 milhão com serviço de fumacê que, segundo ele, não teriam comprovação de execução compatível com o valor contratado.

O caso agora passa a ser analisado pela direção estadual do União Brasil, que deverá instaurar procedimento interno para apuração dos fatos e eventual aplicação de sanções.

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