Por incrível que pareça, os mosquitos são considerados os maiores predadores dos humanos, já que eles são os animais mais letais para espécie humana, matando milhares de pessoas por ano — Foto: WikiImages/Pixabay

Costumamos associar os mosquitos a insetos com picadas irritantes e dolorosas. Porém, apenas uma pequena quantidade das 3.500 espécies conhecidas têm um apreço pelo sangue humano. Essas são responsáveis pela morte de mais de 700 mil pessoas por ano no mundo todo e por transmitir muitas doenças, como a malária – que matou mais de 600 mil de 80 países em 2024.

Um estudo feito por uma equipe internacional de cientistas e publicado hoje na revista Scientific Reports sugere que essa relação incômoda existe antes mesmo da nossa espécie dominar o planeta. Segundo a pesquisa, mosquitos já se alimentavam de sangue ancestral humano desde a chegada dos primeiros hominídeos no sudeste asiático, há cerca de 1,8 milhão de anos.

Com o sequenciamento do DNA de 11 espécies de mosquitos do grupo Leucosphyrus, os cientistas foram capazes de reconstruir a história evolutiva desses insetos e a partir de quando o interesse alimentar por nosso sangue surgiu.

Mudança no apetite

O grupo Leucosphyrus está dentro do gênero Anopheles, no qual se encontram tanto espécies que se alimentam de primatas não humanos, como orangotangos, quanto aquelas que preferem seres humanos. Através de 38 indivíduos coletados na região do sudeste asiático, foi possível utilizar modelos computacionais e estatísticos para chegar ao ponto de partida evolutivo dessas espécies que sejam mais chegadas ao sangue humano.

Mapa indicando a localização de cada espécie coletada para o estudo, ao mesmo tempo que indica as regiões de cobertura florestal — Foto: Upasana Shyamsunder Singh/Scientific Reports
Mapa indicando a localização de cada espécie coletada para o estudo, ao mesmo tempo que indica as regiões de cobertura florestal — Foto: Upasana Shyamsunder Singh/Scientific Reports

Resultados dos testes mostraram que o comportamento ancestral era alimentar-se de primatas não humanos. A evolução, que aconteceu entre 2,9 e 1,6 milhões de anos atrás na região da Sundalândia – que inclui a Península Malaia, Bornéu, Sumatra e Java –, teria modificado, para nosso azar, o apetite desses insetos.

O período coincide com o surgimento da espécie hominídea Homo erectus na região do sudeste asiático, que ocorreu por volta de 1,8 milhão de anos atrás.

Adaptações genéticasPara identificar seus hospedeiros, os mosquitos modernos são condicionados a uma grande quantidade de genes olfativos – sim, eles nos acham através do nosso “cheiro”.

Assim, a teoria defendida pelos autores do estudo é que o processo evolutivo teria impactado genes associados a receptores de odor, de forma que a preferência alimentar fosse alterada pela chegada dos primeiros hominídeos.

A mudança radical, que aconteceu antes do surgimento do Homo sapiens, implicaria em uma presença significativa de espécies ancestrais humanas na Sundalândia – o que pode ajudar a recriar a história dos hominídeos na região.

(Por Fernanda Zibordi)

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