Dengue pode voltar a ultrapassar 25 mil casos em MT em 2026 - Reprodução/EPTV

Mesmo após o recuo recente nos registros, Mato Grosso pode voltar a enfrentar um novo ciclo intenso de dengue. Projeção do consórcio Infodengue-Mosqlimate, formado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), estima cerca de 25,5 mil casos da doença no Estado na temporada 2025-2026, mantendo o cenário em nível de alerta.

O dado ganha peso diante do histórico recente. Em 2025, Mato Grosso registrou 35.424 casos de dengue, com 23 mortes confirmadas e outros 12 óbitos em investigação. Já em 2026, até o momento, foram contabilizados 2.773 casos, além de dois óbitos confirmados e um em investigação, indicando uma queda momentânea que pode não se sustentar ao longo do ciclo epidemiológico. Os dados são do painél Arboviroses, do Governo Federal.

As projeções são feitas a partir de modelos que cruzam séries históricas da doença, condições climáticas e comportamento ambiental do mosquito transmissor. Para os pesquisadores, a redução prevista em relação ao pico recente não representa controle definitivo, mas sim uma estabilização em patamar ainda elevado.

O cenário nacional ajuda a dimensionar o risco. O Brasil deve registrar cerca de 1,8 milhão de casos de dengue na temporada 2025-2026. O volume é menor que o recorde histórico de 2024, quando o país ultrapassou 6,5 milhões de notificações, mas ainda caracteriza situação epidêmica.

No Centro-Oeste, a tendência é de manutenção da transmissão em níveis altos. Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal devem permanecer acima do limite considerado de risco elevado, indicando circulação contínua do vírus na região.

Na avaliação dos especialistas, a dengue deixou de ocorrer apenas em grandes surtos isolados e passou a se repetir em ciclos frequentes. O calor predominante, as chuvas irregulares e a expansão urbana favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, mantendo o Estado vulnerável a novos picos.

Mesmo com expectativa de menos casos que em anos extremos, o alerta permanece. A circulação simultânea de diferentes sorotipos do vírus e a presença de outras arboviroses podem influenciar novas altas ao longo do ano.

O desafio para Mato Grosso, segundo o estudo, é antecipar as ações de prevenção antes do período de maior transmissão. O histórico recente mostra que os números podem oscilar, mas a dengue segue longe de desaparecer do cotidiano da saúde pública.

Dengue pode voltar a ultrapassar 25 mil casos em MT em 2026 – Reprodução/EPT

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