Uma campanha recente de restauração na Hagia Sophia, em Istambul, revelou uma rede de túneis subterrâneos com cerca de 1.600 anos, oferecendo novas pistas sobre a complexa infraestrutura do período bizantino. Os achados foram documentados durante trabalhos de limpeza e mapeamento nas áreas verdes ao redor do monumento histórico.
O ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, afirmou em declarações divulgadas pela NTV, que sete linhas de túneis foram identificadas, além de um hipogeu, um complexo funerário subterrâneo. Durante as escavações e operações de limpeza, foram removidas 1.068 toneladas de sedimentos apenas nos túneis e outras 102 toneladas na área funerária.
A descoberta faz parte de um amplo programa de restauração científica voltado à preservação estrutural da Hagia Sophia, construída entre 532 e 537 d.C. durante o reinado do imperador bizantino Justiniano I. O projeto inclui escaneamento digital, modelagem estrutural e análise de materiais, com o objetivo de garantir a estabilidade do edifício no longo prazo.
Função prática, não rotas secretas
Embora histórias populares frequentemente associem a Hagia Sophia a passagens secretas ou rotas de fuga, especialistas afirmam que a função dos túneis é essencialmente técnica. O professor Hasan Fırat Diker destaca que esses sistemas serviam principalmente para ventilação, drenagem e controle de umidade, em entrevista ao Türkiye Today.
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Essas estruturas se concentram principalmente nas áreas próximas às fundações e aos jardins do edifício. Isso sugere que faziam parte de um sistema de manutenção hidráulica e estrutural desenvolvido ao longo de diferentes períodos históricos.
Uma cidade construída sobre água
O subterrâneo da Hagia Sophia integra um sistema mais amplo de infraestrutura hidráulica histórica de Istambul. Durante o período bizantino, a cidade dependia de uma extensa rede de cisternas, aquedutos e reservatórios que garantiam o abastecimento de água para igrejas, palácios e bairros inteiros.
Um exemplo preservado desse sistema é a Cisterna da Basílica, localizada a poucos metros da Hagia Sophia, que demonstra a escala das soluções hidráulicas da época. Os túneis recém-documentados podem ajudar os pesquisadores a compreender melhor como a drenagem e o controle de umidade contribuíram para a sobrevivência do monumento ao longo de quase quinze séculos.
(Por Carina Gonçalves)

