A condição radioativa da argila bentonita não é motivo de preocupação, sendo que a inalação da poeira da areia para gato é uma situação mais preocupante que a radiação — Foto: Reprodução/Freepik

Quando pensamos em radiação, algumas imagens carimbadas podem vir à mente: uma explosão em forma de cogumelo, trajes de proteção pesada ou o símbolo do trifólio — o desenho com um círculo central e três pás que remetem às emissões radioativas alfa, beta e gama. Também surgem lembranças de ataques e desastres nucleares.

Mas não é preciso ir longe da rotina para entrar em contato com a radiação. Na verdade, tudo no universo emite algum tipo de radiação, desde que esteja acima da temperatura do zero absoluto (-273,15 °C). Isso significa que tanto seres vivos quanto objetos inanimados liberam energia em diferentes níveis, ainda que, na maioria dos casos, em intensidades inofensivas.

Normalmente, isso não é perigoso para nossa saúde, já que não é capaz de alterar nossas células e DNA. Porém, alguns objetos ou atividades comuns se destacam como tendo uma porçãozinha maior de radiação do que os demais. Essas emissões radioativas podem ser facilmente identificadas por um contador Geiger-Müller, aparelho que mede radiações ionizantes em superfícies distintas.

A seguir, confira 6 tópicos que provam que a sua rotina é mais radioativa do que você imagina:

1. Alimentos ionizantes

Imagine começar o seu dia preparando um café da manhã saudável. Se no cardápio estiver banana ou castanha-do-pará, pode já ir pegando um detector de radiação para chamar de seu.

Devido ao seu código genético, a banana contém isótopos de potássio-40, que são radioativos. Segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA, o consumo da fruta fornece uma dose de 0,1 microsievert de radiação para o corpo.

Isso é pouquíssimo: para uma dose letal de radiação, seria necessária a ingestão de 100 milhões de bananas de uma só vez. Ainda assim, um contador Geiger-Müller pode sim detectar a radiação da banana. Existe até mesmo uma unidade de medida informal chamada Banana Equivalent Dose (BED), que compara uma dose radioativa à quantidade de radiação ingerida ao comer o alimento.

Apesar do seu lado radioativo, a castanha-do-pará é um alimento extremamente saudável se consumido adequadamente, trazendo benefícios de ação antioxidante e anti-inflamatória — Foto: PS Sena/Wikimedia Commons
Apesar do seu lado radioativo, a castanha-do-pará é um alimento extremamente saudável se consumido adequadamente, trazendo benefícios de ação antioxidante e anti-inflamatória — Foto: PS Sena/Wikimedia Commons

Já a castanha-do-pará pode ser considerada o alimento natural mais radioativo do mundo. Assim como as bananas, elas possuem potássio radioativo, mas também uma pequena quantidade de rádio-226. Esses isótopos radioativos são absorvidos do solo pelas raízes profundas das castanheiras.

2. Caixa de areia

A caixa de areia do seu gato também emite radiação, embora esta não tenha relação com os dejetos do bichano. A origem da emissão vem da argila bentonita, usada para forrar a caixa por conta da sua capacidade de absorção. Nela, podem ser encontradas quantidades consideráveis de urânio e tório .

Apesar dessa quantidade não representar risco — nem para a saúde dos gatos, nem para dos humanos —, o Museu de Radiação e Radioatividade das Oak Ridge Associated Universities (ORAU), nos Estados Unidos, apresenta um dado curioso: se cerca de 1,81 bilhão de quilos de areia para gatos forem vendidos anualmente no país, isso significa que, juntos, os consumidores estarão adquirindo aproximadamente 22 mil quilos de urânio e 54 mil quilos de tório por ano — elementos presentes naturalmente no material.

A condição radioativa da argila bentonita não é motivo de preocupação, sendo que a inalação da poeira da areia para gato é uma situação mais preocupante que a radiação — Foto: Reprodução/Freepik
A condição radioativa da argila bentonita não é motivo de preocupação, sendo que a inalação da poeira da areia para gato é uma situação mais preocupante que a radiação — Foto: Reprodução/Freepik

3. Folhas de revista

Outro caso parecido é o das folhas de revistas com papel brilhante. Aquele visual bonito presente nesse tipo de impressão é feito com um revestimento de caulim, um tipo de argila branca que também contém os elementos radioativos urânio e tório.

Ler arduamente esse tipo de revista não fará mal a ninguém, mas aumenta ligeiramente o nível de exposição à radiação detectável pelos medidores.

4. Cigarro

Agora, se você está procurando razões para parar de fumar, saiba que o cigarro tem elementos radioativos em sua composição, como polônio-210 e chumbo-210. As folhas de tabaco absorvem esses isótopos do solo, que sobrevivem durante todo o processo de produção dos cigarros.

Como a EPA destaca, ao fumar, as partículas radioativas se depositam nos pulmões, onde continuam se acumulando enquanto a pessoa fuma. Com o tempo, uma radiação que seria inofensiva pode realmente causar problemas de saúde, contribuindo para o aumento de risco de câncer no pulmão.

O tabaco do cigarro contém mais de 7 mil substâncias químicas, muitas delas bem mais prejudiciais à saúde que as pequenas quantidades de radiação — Foto: Akroti/Wikimedia Commons
O tabaco do cigarro contém mais de 7 mil substâncias químicas, muitas delas bem mais prejudiciais à saúde que as pequenas quantidades de radiação — Foto: Akroti/Wikimedia Commons

5. Aparelhos eletrônicos

Há mitos e verdades sobre a segurança de manter aparelhos eletrônicos por perto ao longo do dia. Embora a exposição constante a esses dispositivos possa ter efeitos, a realidade sobre quais equipamentos representam risco à saúde — e em que condições — é mais complexa do que parece.

micro-ondas, por exemplo, é um utensílio doméstico muitas vezes associado à capacidade de deixar os alimentos radioativos. Porém, isso não é exatamente verdade. Segundo Lucas Paixão Reis, professor da Faculdade de Medicina da UFMG, o objeto emite ondas eletromagnéticas, mas estas são do tipo não-ionizante, ou seja, não possuem a capacidade de arrancar elétrons dos átomos dos corpos e, portanto, não possuem risco de radioatividade.

O mesmo pode ser dito dos celulares. Como qualquer objeto, eles emitem radiação, mas essa viaja por longas ondas de uma faixa de baixa energia do espectro eletromagnético – que é incapaz de causar danos significativos às células do nosso corpo.

Mesmo que o perigo radioativo dos celulares nunca tenha sido confirmado, os equipamentos podem trazer prejuízos na saúde em outros aspectos como falta de qualidade do sono — Foto: sweetlouise/Pixabay
Mesmo que o perigo radioativo dos celulares nunca tenha sido confirmado, os equipamentos podem trazer prejuízos na saúde em outros aspectos como falta de qualidade do sono — Foto: sweetlouise/Pixabay

Por outro lado, os celulares são capazes de alterar padrões importantes do nosso funcionamento corporal. “Essas radiações [dos celulares] possuem um efeito biológico, no corpo, que é chamado de efeito térmico”, explica o professor em comunicado da universidade. “O uso prolongado do aparelho celular pode provocar um aquecimento da cabeça, da pele, da orelha”, cita.

6. Exames médicos

A radiação vinda na forma de raios-X se classifica como ionizante. É justamente por isso que exames médicos como raios-x, tomografia computadorizada e radioterapia exigem certas precauções para serem realizados.

Os exames de raios-X, como o próprio nome já diz, está associado a uma forma de emissão radioativa do tipo ionizante, a raios-X. Essa emissão pode ser perigosa em casos de alta exposição — Foto: Tara Winstead/Pexels
Os exames de raios-X, como o próprio nome já diz, está associado a uma forma de emissão radioativa do tipo ionizante, a raios-X. Essa emissão pode ser perigosa em casos de alta exposição — Foto: Tara Winstead/Pexels

Quando o radiologista vai para a cabine blindada para se proteger da radiação durante um exame, o que vemos trata-se de uma medida de segurança para um profissional que está diariamente em contato com esse tipo de emissão radioativa.

(Por Fernanda Zibordi)

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