Três barris do século 17 foram encontrados intactos durante escavações em cidade da Noruega — Foto: Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural (NIKU)

Debaixo de uma rua comum no centro de Skien, na Noruega, arqueólogos encontraram algo incomum: três barris de madeira intactos, enterrados há cerca de 400 anos. Dentro deles, havia vestígios de cal, um dos materiais mais importantes usados em construções no século 17.

A descoberta foi feita em Torggata, uma das principais ruas da cidade, durante obras de manutenção nos sistemas de água e esgoto. Pela primeira vez desde a década de 1970, uma grande escavação no local revelou vestígios bem preservados de edifícios e diversos objetos da Idade Média — alguns deles datando do século 9. Veja mais nas fotos abaixo:

Cerâmicas encontradas na escavação — Foto: Sara Langvik Derrick / Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural (NIKU)
Cerâmicas encontradas na escavação — Foto: Sara Langvik Derrick / Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural (NIKU)
Peças de cachimbo de giz encontradas na escavação — Foto: Sara Langvik Derrick / Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural (NIKU)
Peças de cachimbo de giz encontradas na escavação — Foto: Sara Langvik Derrick / Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural (NIKU)

Localizada na parte final da rede de rios da região, Skien ocupava uma posição estratégica para o comércio e o transporte marítimo. A cidade recebia mercadorias como grãos, pedras de amolar e madeira do norte de Telemark e as exportava para a Inglaterra e o norte da Europa.

“Nunca tínhamos visto uma coleção tão bem preservada de barris e estávamos muito curiosos para saber para que eles poderiam ter sido usados”, disse Kristine Ødeby Haugan, arqueóloga e pesquisadora do Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural e gerente do projeto da escavação em Torggata, em comunicado.

Além dos barris feitos carvalho, encontrados cobertos por solo úmidos e entulho, os pesquisadores também descobriram um socador de madeira (uma ferramenta de impacto usada para compactar materiais). Ao redor deles havia uma camada de cal e, dentro dos barris, foram encontrados blocos de cal e alguns materiais de demolição.

Os arqueólogos acreditam que, por estarem enterrados, os barris eram usados na época para armazenar cal hidratada — já pronta para uso e protegida do frio — antes de ser misturada com areia e água na produção de argamassa. Os barris e o socador de madeira, no entanto, provavelmente faziam parte de um sistema de armazenamento e preparo do material de construção por longos períodos.

A descoberta ajuda a revelar como funcionavam as atividades de construção e o trabalho dos artesãos na cidade, além de indicar um período de crescimento urbano e desenvolvimento da infraestrutura local.

Na época, a argamassa de cal era um material essencial, usada tanto na alvenaria quanto no acabamento de construções, e pode ter desempenhado um papel importante na reconstrução de edifícios de pedra no centro de Skien após um incêndio.

Segundo os pesquisadores, a descoberta oferece uma visão rara das atividades ligadas à construção e ao desenvolvimento urbano da cidade, que possui um histórico conectado ao comércio marítimo.

Para evitar danos durante as obras, os barris e o socador de madeira foram desmontados e removidos do local. A expectativa é que as peças possam ser preservadas, remontadas e, futuramente, expostas ao público.

A escavação também despertou grande interesse entre os moradores da cidade. Como os trabalhos acontecem dentro de uma grande tenda, impedindo o acesso direto do público, a equipe de pesquisadores passou a organizar visitas guiadas para apresentar os achados da escavação.

Arqueólogos na escavação realizada em Torggata, uma das principais ruas da cidade de Skien — Foto: Sara Langvik Derrick / Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural (NIKU)
Arqueólogos na escavação realizada em Torggata, uma das principais ruas da cidade de Skien — Foto: Sara Langvik Derrick / Instituto Norueguês de Pesquisa do Patrimônio Cultural (NIKU)

Segundo Haugan, o interesse em torno da escavação mostra que a história pode ir além dos museus. “Ela está bem debaixo dos nossos pés e, quando a compartilhamos com o público, se torna um projeto conjunto”, afirma.

O projeto de escavação, que vem sendo acompanhado por veículos de mídia locais e internacionais, já tem previsão para novas fases, tendo continuidade dos trabalhos em outras áreas da cidade nos próximos meses.

(Por Sarah Macedo)

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