er o rio como seu habitat não é impede que o “shellear fish” (Parakneria thysi) seja capaz de feitos impressionantes – como escalar uma cachoeira de 15 metros de altura, por exemplo. Expedições científicas na República Democrática do Congo fizeram o registro desses minúsculos peixes subindo parede de pedra acima, no meio de contínuos fluxos d’água.
Histórias sobre peixes escaladores de cachoeiras já circulavam no país há mais de 50 anos, porém sem comprovações científicas. O estudo publicado hoje (2) na revista científica Scientific Reports oferece o primeiro registro fotográfico conhecido de milhares de indivíduos da espécie realizando uma migração vertical nas Cataratas de Luvilombo. Assista abaixo:
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Adaptados para escalar
Entre 2018 e 2020, os pesquisadores observaram por cerca de 9 horas e 45 minutos os peixinhos – que medem apenas 3,5 a 4,8 centímetros de comprimento – subirem uma das quedas d’água, evento que ocorre principalmente entre abril e maio, no final da estação chuvosa da região.
Uma cachoeira de 15 metros pode não parecer tão grande para humanos, mas ao nos colocarmos na escala dos peixes, o desafio é maior do que chegar ao topo do Taipei 101, conhecido arranha-céu de Taiwan com 508 metros de altura e 101 andares, como destaca o site Scientific American.
Afinal, como os “shellear fishes” conseguem a proeza? Curiosamente, de forma bem parecida que alpinistas profissionais: os peixes possuem estruturas unicelulares e semelhantes a ganchos na parte inferior de suas nadadeiras peitorais e pélvicas. Elas conferem aderência aos animais na rocha e os ajuda a se impulsionarem para cima.
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Obviamente, a dedicação não é garantia de sucesso, já que “alguns peixes caem durante a escalada e têm que recomeçar”, como pontua Emmanuel Vreven ictiólogo do Museu Real da África Central e coautor do estudo, em entrevista ao site americano.
Mesmo que a força de vontade dos peixes escaladores seja de se admirar, os pesquisadores ainda não têm certeza das suas motivações. Algumas teorias levantadas são que eles podem estar retornando a locais de onde foram anteriormente arrastados pela chuva ou procurando áreas mais seguras de predadores.
O registro da incrível habilidade do “shellear fish” pode impulsionar tanto o ecoturismo da fauna local, que costuma a se voltar a animais maiores, como também esforços de conservação do Parque Nacional de Upemba, onde a espécie de peixe reside.
(Por Fernanda Zibordi)



