Pesquisadores identificaram forma rara de nanismo em um esqueleto da Idade da Pedra encontrado na Itália Adrian Daly - Reprodução/Galileu

Uma análise de DNA antigo revelou que uma adolescente enterrada no sul da Itália há cerca de 12 mil anos tinha uma forma extremamente rara de nanismo causada por uma mutação genética. De acordo com os autores do projeto, a jovem, identificada como “Romito 2”, representa o diagnóstico genético mais velho já confirmado em um ser humano anatomicamente moderno. Detalhes do achado foram compartilhados na quarta-feira (28) em um artigo na revista The New England Journal of Medicine.

Os restos mortais foram encontrados originalmente em 1963 na Gruta de Romito, na região da Calábria, junto aos esqueletos de outros oito caçadores-coletores da Idade da Pedra. O estudo mais recente, baseado em material genético extraído do osso do ouvido interno, demonstrou que Romito 2 era do sexo feminino — contrariando interpretações anteriores — e apresentava AMDM (sigla para acromesomelia displásica do tipo Maroteaux).

A AMDM é uma doença causada por mutações no gene NPR2, o qual desempenha funções essenciais para o crescimento ósseo. Romito 2 possuía duas cópias alteradas do gene, o que explica a manifestação grave da condição, traduzida no encurtamento severo dos seus membros. Sua estatura estimada era de cerca de 1,10 metro, muito abaixo da média das pessoas que viviam no mesmo período histórico.

Herança genética

O estudo também esclareceu a identidade do indivíduo enterrado junto à adolescente, conhecido como “Romito 1”. A análise genética mostrou que ele também era do sexo feminino e parente de primeiro grau de Romito 2, possivelmente sua mãe ou irmã. Romito 1 mede cerca de 1,45 metro e carrega apenas uma cópia alterada do gene NPR2, o que pode ter limitado seu crescimento sem causar a forma severa de nanismo observada na adolescente.

Ambas pertenciam ao agrupamento genético Villabruna, associado a populações de caçadores-coletores que se expandiram do sul da Europa para regiões centrais e ocidentais do continente há cerca de 14 mil anos. Embora o grupo humano que vivia nas proximidades da caverna provavelmente fosse pequeno, os pesquisadores não encontraram evidências de endogamia próxima.

Para Adrian Daly, médico e pesquisador da Universidade de Liège, na Bélgica, e um dos autores do estudo, a descoberta representa um marco científico. Em entrevista ao portal Live Science, ele destaca que a identificação precisa de uma mutação genética em um indivíduo que viveu há mais de 12 milênios antecipa em cerca de 10 mil anos o registro anterior mais antigo desse tipo de diagnóstico.

Indícios de organização social

Apesar das limitações físicas impostas pela AMDM, não há sinais de que Romito 2 tenha sofrido abandono ou negligência. Seus ossos não apresentam evidências de trauma, violência ou desnutrição, e sua alimentação era comparável à dos outros indivíduos sepultados na gruta.

Para os pesquisadores, esses dados indicam que a adolescente recebeu cuidados contínuos de seu grupo social. Vale lembrar que se acredita que a condição genética teria dificultado deslocamentos longos e atividades manuais, especialmente em um ambiente montanhoso e exigente. Mesmo assim, o contexto do sepultamento e o estado geral dos restos mortais sugerem que a jovem foi integrada à vida comunitária até sua morte, cuja causa permanece desconhecida.

(Por Arthur Almeida)

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