Foto: Vitor Silva/Botafogo

O nome Potosí causa calafrios a quem enfrenta as equipes da cidade boliviana. Localizada a 4.000 metros de altitude, a casa do Nacional Potosí, adversário do Botafogo nesta quarta-feira pela segunda fase da Libertadores, é o terror de brasileiros e possui história centenária como centro mundial de prata.

Potosí é uma cidade improvável. A distância para a capital da Bolívia, La Paz, é de 544 km, e altitude é assustadora. Lar de povos indígenas e do Império Inca, foi uma das cidades mais ricas do mundo entre os séculos XVI e XVII. Isso se deve a exploração da prata que abasteceu a Espanha e moveu a globalização. ge conta a história da incrível cidade localizada a 4.000 metros do nível do mar.

Não existe lugar como Potosí no mundo. Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, é a terceira mais alta, atrás somente de Cerro de Pasco, no Peru, e El Alto, também na Bolívia. Potosí é chave para entender a formação da globalização e o poder da colonização espanhola na América do Sul.

A montanha de prata

Impressiona chegar em Potosí, a 4.000 metros do nível do mar, e observar uma montanha que eleva a cidade a 4.782 metros. O Cerro Rico (Sumaq Urqu em quéchua, idioma indígena) faz parte da Cordilheira dos Andes e foi responsável por cerca de 85% da produção andina de prata durante a colonização espanhola.

O vermelho da montanha virou vermelho de sangue. A lenda diz que, em 1545, um indígena buscava uma lhama na região de Potosí quando acendeu uma fogueira e viu a prata no Cerro Rico. A partir daí, os espanhóis chegaram e tomaram posse do Sumaq Urqu.

Povos locais foram explorados com trabalhos forçados, assim como aconteceu no Brasil. Pessoas foram retiradas do continente africano para serem escravizadas na América do Sul. Potosí fez o Império Espanhol ser a potência da época. Em determinado momento, o volume anual de prata que atravessou o Oceano Atlântico foi de 3.000 toneladas.

Com a prata de Potosí, surgiu o “real de a ocho”, a moeda do Império Espanhol que passou a ser usada em diversos cantos do globo. Também chamado de “dólar espanhol”, foi utilizado em diversos países até o século XX e inspirou o dólar americano.

Terror dos brasileiros

Quando o assunto é futebol e Bolívia, Potosí é um nome que assusta qualquer brasileiro. Cilindros de oxigênio, longos planejamentos e falta de ar são questões que entram na mente de quem joga na cidade.

O Botafogo enfrenta o Nacional Potosí nesta quarta-feira, mas outro time da região é mais conhecido. O Real Potosí, com escudo parecido com o do Real Madrid, deu trabalho para brasileiros nas últimas décadas e teve somente três derrotas em casa em 12 jogos da Libertadores.

Em casa, o Real Potosí tem no currículo goleadas por 5 a 1 sobre gigantes como Peñarol e Cruzeiro. Além do clube mineiro, Flamengo e Paraná enfrentaram os bolivianos em Potosí e não conseguiram vencer. O único time brasileiro que bateu o Real Potosí na altitude foi o Palmeiras, com uma vitória por 2 a 0 em 2009.

Adversário do Botafogo, o Nacional Potosí jogou a Libertadores pela primeira vez em 2023 e perdeu os dois jogos na fase preliminar. Pela Sul-Americana, deu trabalho na altitude e venceu o Fluminense em 2018 e goleou o Fortaleza em 2024, por 4 a 1.

Fluminense usou cilindros de oxigênio em Potosí — Foto: Lucas Merçon

Fluminense usou cilindros de oxigênio em Potosí — Foto: Lucas Merçon

Como driblar a altitude?

Para enfrentar o Nacional Potosí, o Botafogo busca uma logística única. Martín Anselmi, técnico com vasta experiência na altitude sob comando de Independiente del Valle e Cruz Azul, teve grande participação no planejamento do clube para o jogo desta quarta-feira.

O planejamento foi definido durante a última semana com diálogo entre todas as áreas do clube: comissão técnica, os departamentos médico e de futebol. A decisão contou com o aval de John Textor, o dono da SAF do Botafogo. A ideia era enviar jovens com uma semana de antecedência para que eles se adaptassem à altitude.

Após o jogo contra o Fluminense, uma avaliação definiu os atletas que iriam para a cidade de Sucre, que tem altitude mais branda, antecipadamente. Os atletas são: Christian Loor, Léo Linck, Gabriel Abdias, Kadu, Kauan Toledo, Kauã Cruz, Marquinhos, Bernardo Valim e Wallace Davi. O técnico do sub-20, Rodrigo Bellão, também faz parte da delegação. Eles foram para Potosí no dia seguinte.

Eles pegaram o voo logo após o clássico e chegaram na Bolívia por volta das 7 horas da manhã (do horário de Brasília) de sexta-feira. O objetivo da ida quase uma semana antes é facilitar a adaptação pensando na utilização dos atletas no jogo. Alguns estudos apontam que cinco dias na altitude é eficaz para adaptar o corpo e minimizar efeitos. Os atletas mais jovens e “com mais físico” foram os escolhidos.

A delegação principal viajou somente nesta terça-feira, no dia anterior ao jogo contra o Nacional Potosí. Os jogadores do time principal pousaram em Sucre, a 2.800 metros de altitude. Eles dormem na cidade e sobem para Potosí somente no dia da partida. A ideia é que eles tenham menos tempo para sentir o peso da altitude.

Para chegar a Potosí, é necessário pousar em Sucre, a 2.800 metros do nível do mar. Potosí está localizada a 150 km de distância de Sucre. Em 2024, Fortaleza e Boca Juniors fizeram o trajeto com carros 4×4 — e assim o Botafogo repetirá o planejamento. Essa parte da viagem deve durar 3 horas. (GE)

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