Vários animais pré-históricos tinham tamanhos corporais que hoje seriam inimagináveis. Uma atmosfera mais rica em oxigênio e uma maior abundância de espaço e vegetação foram fatores que colaboraram para a existência de preguiças, tubarões e até cangurus gigantes. Os cangurus pré-históricos podiam atingir até 250 kg e, ainda assim, eram capazes de saltar como espécies que encontramos hoje em dia – que chegam a pesar no máximo 90 kg. Foi isso que concluíram cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, ao combinarem medições de cangurus vivos com evidências diretas de ossos fósseis. Leia também: Banheira ritual com cinzas é achada sob o Muro das Lamentações, em Jerusalém Fábrica autoriza queima de estoque de bolsas de luxo com frete grátis em todo o país. Bolsas luxo a preço de fábrica | Links patrocinados Este submarino nazista afundou após seu capitão usar o banheiro incorretamente Os pesquisadores notaram que marsupiais antigos também tinham a habilidade de pular por aí. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports no dia 22 de janeiro e vai contra a teorias anteriores de que o salto desses gigantes seria mecanicamente impossível com peso corporal acima de 150kg. Esqueleto fóssil de um canguru pré-histórico — Foto: Megan Jones/Scientific Reports Esqueleto fóssil de um canguru pré-histórico — Foto: Megan Jones/Scientific Reports Ossos resistentes para saltos De acordo com as análises de fósseis, os cangurus gigantes tinham realmente os ossos dos pés mais curtos e grossos, o que é importante para aguentar fortes impactos. Seus ossos do calcanhar eram largos ao ponto de suportarem tendões bem mais grossos que o de cangurus modernos. Exemplo de um osso de calcanhar da maior espécie de canguru gigante conhecida, o Procoptodon goliah — Foto: Megan Jones, UCMP/Scientific Reports Exemplo de um osso de calcanhar da maior espécie de canguru gigante conhecida, o Procoptodon goliah — Foto: Megan Jones, UCMP/Scientific Reports “Estimativas anteriores baseiam-se simplesmente na ampliação de cangurus modernos, o que pode significar que estamos ignorando diferenças anatômicas cruciais", observa Megan Jones, coautora do estudo, em comunicado. "Nossas descobertas mostram que esses animais não eram apenas versões maiores dos cangurus de hoje; eles tinham uma estrutura corporal diferente, que os ajudava a lidar com seu tamanho enorme”. Ainda assim, ter a anatomia ideal para saltar não significa que esses marsupiais se deslocavam essencialmente dessa forma. Segundo Katrina Jones, também coautora do estudo, ter tendões mais grossos implicaria possuir menos energia elástica, de forma que esses cangurus tivessem uma movimentação mais lenta. Logo, o salto poderia estar associado a situações esporádicas de “saltar para atravessar terrenos acidentados rapidamente ou para escapar do perigo”. Leia mais notícias: Como cientistas fizeram o maior experimento do Gato de Schrödinger até hoje Article Photo Encontrada no Amazonas tarântula dominada por fungo que a torna "zumbi"; vídeo Article Photo Diversidade de espécies extintas Outro avanço realizado pelo estudo vai além de saber como os antigos cangurus se locomoviam. De acordo com Robert Nudds, um dos autores da pesquisa, foi identificado o costume de certas espécies pré-históricas de se alimentar de brotos, um nicho ecológico não mais observado nos grandes cangurus atuais. Essas descobertas, segundo o pesquisador, colaboram para o conhecimento de que a diversidade ecológica da Austrália pré-histórica era mais ampla do que a encontrada hoje.

Vários animais pré-históricos tinham tamanhos corporais que hoje seriam inimagináveis. Uma atmosfera mais rica em oxigênio e uma maior abundância de espaço e vegetação foram fatores que colaboraram para a existência de preguiças, tubarões e até cangurus gigantes.

Os cangurus pré-históricos podiam atingir até 250 kg e, ainda assim, eram capazes de saltar como espécies que encontramos hoje em dia – que chegam a pesar no máximo 90 kg. Foi isso que concluíram cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, ao combinarem medições de cangurus vivos com evidências diretas de ossos fósseis.

Os pesquisadores notaram que marsupiais antigos também tinham a habilidade de pular por aí. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports no dia 22 de janeiro e vai contra a teorias anteriores de que o salto desses gigantes seria mecanicamente impossível com peso corporal acima de 150kg.

Esqueleto fóssil de um canguru pré-histórico — Foto: Megan Jones/Scientific Reports
Esqueleto fóssil de um canguru pré-histórico — Foto: Megan Jones/Scientific Reports

Ossos resistentes para saltos

De acordo com as análises de fósseis, os cangurus gigantes tinham realmente os ossos dos pés mais curtos e grossos, o que é importante para aguentar fortes impactos. Seus ossos do calcanhar eram largos ao ponto de suportarem tendões bem mais grossos que o de cangurus modernos.

Exemplo de um osso de calcanhar da maior espécie de canguru gigante conhecida, o Procoptodon goliah — Foto: Megan Jones, UCMP/Scientific Reports
Exemplo de um osso de calcanhar da maior espécie de canguru gigante conhecida, o Procoptodon goliah — Foto: Megan Jones, UCMP/Scientific Reports

“Estimativas anteriores baseiam-se simplesmente na ampliação de cangurus modernos, o que pode significar que estamos ignorando diferenças anatômicas cruciais”, observa Megan Jones, coautora do estudo, em comunicado. “Nossas descobertas mostram que esses animais não eram apenas versões maiores dos cangurus de hoje; eles tinham uma estrutura corporal diferente, que os ajudava a lidar com seu tamanho enorme”.

Ainda assim, ter a anatomia ideal para saltar não significa que esses marsupiais se deslocavam essencialmente dessa forma. Segundo Katrina Jones, também coautora do estudo, ter tendões mais grossos implicaria possuir menos energia elástica, de forma que esses cangurus tivessem uma movimentação mais lenta. Logo, o salto poderia estar associado a situações esporádicas de “saltar para atravessar terrenos acidentados rapidamente ou para escapar do perigo”.

Diversidade de espécies extintas

Outro avanço realizado pelo estudo vai além de saber como os antigos cangurus se locomoviam. De acordo com Robert Nudds, um dos autores da pesquisa, foi identificado o costume de certas espécies pré-históricas de se alimentar de brotos, um nicho ecológico não mais observado nos grandes cangurus atuais.

Essas descobertas, segundo o pesquisador, colaboram para o conhecimento de que a diversidade ecológica da Austrália pré-histórica era mais ampla do que a encontrada hoje.

(Por Fernanda Zibordi)

Uma representação do que teria sido um canguru da família Sthenurinae, grupo já extinto que apresentava focinhos curtos — Foto: Megan Jones/Scientific Reports

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