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A chegada da colheita da segunda safra de milho em Mato Grosso já começa a pressionar os preços do grão no Estado. Em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, um dos principais polos produtores do país, a cotação média parcial de maio ficou 11% abaixo da registrada no mesmo período de 2025, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com os pesquisadores, a ausência de compradores no mercado spot e a expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas têm contribuído para a queda dos preços. Mesmo com a colheita ainda em estágio inicial, produtores e compradores já acompanham o comportamento do mercado de olho no avanço dos trabalhos de campo.

O Cepea aponta que, neste momento, a colheita da segunda safra está concentrada principalmente em Mato Grosso e no Paraná. A expectativa dos compradores é de que, com a intensificação da colheita a partir da segunda quinzena de junho, o volume disponível aumente significativamente, provocando novas quedas nas cotações.

Além do cenário interno, fatores internacionais também influenciam o mercado. O bom andamento do plantio nos Estados Unidos tem pressionado os contratos futuros do cereal e reduzido a competitividade das exportações brasileiras, limitando a sustentação dos preços.

Nem mesmo as preocupações com problemas climáticos em algumas regiões produtoras foram suficientes para interromper o movimento de baixa. Segundo o Cepea, as altas temperaturas e a falta de chuvas em áreas de Goiás e Mato Grosso do Sul, além das geadas registradas no Paraná, não conseguiram reverter a expectativa de oferta elevada nos próximos meses.

Enquanto isso, compradores seguem retraídos, aguardando um cenário de maior disponibilidade do grão para negociar a preços mais baixos. A tendência observada pelo mercado é de cautela até que a colheita ganhe ritmo e confirme o potencial produtivo da safra.

(VGN)