Com só duas celas, menor prisão do mundo não tem janelas e fica em ilha remota Em vez de privar a liberdade de condenados pela justiça, o uso principal é para abrigar bêbados que não podem voltar pra casa. Conheça o local Por Victor Bianchin

A ilha de Sark é um dos lugares mais peculiares da Europa — pequena, isolada e, até muito recentemente, com instituições que pareciam saídas da Idade Média. O território todo tem apenas 5,5 km2, o equivalente a três Parques do Ibirapuera (São Paulo).

Fica no Canal da Mancha, entre Inglaterra e França, mas não pertence ao Reino Unido: em vez disso, pertence diretamente ao monarca britânico, uma característica política bem específica chamada de “Dependência da Coroa britânica”. Possui parlamento e tribunais locais, mas o chefe de Estado é o rei — atualmente, Charles III.

Além disso, ela tem uma pequena construção que, segundo o Guinness World Records, é a menor prisão do mundo. Construído em 1856 e situado no centro da ilha, o centro carcerário consiste de um único corredor, que atravessa todo seu comprimento, e duas celas: a primeira medindo 1,8 x 2,4 metros e a menor medindo 1,8 x 1,8 metro. Não há janelas, embora, pelas fotos, seja possível ver pequenas grades de ventilação próximas ao chão.

É claro que, num povoado de 600 pessoas, a atividade criminosa não é um acontecimento frequente. Em geral, o maior problema são os motoristas bêbados — mas não de carros, porque não existem automóveis na ilha. São pessoas que ficam embriagadas e saem dirigindo carroças, bicicletas e tratores. Em geral, a prisão é usada para que essas pessoas possam pernoitar e recuperar a sobriedade antes de voltar pra casa.

O policiamento diário em Sark é feito por um agente policial, um adjunto e uma pequena equipe de agentes especiais. Em 2019, o então agente policial relatou que, nos últimos 12 meses, havia ocorrido um total de 267 “problemas e incidentes”. Tirando os casos de embriaguez, foram 11 supostas agressões, quatro roubos, oito casos de “uso de carruagens” e cinco problemas “equinos”. Esses crimes mais sérios são investigados pelas autoridades da ilha vizinha Guernsey, que é maior.

Também naquele ano, o agente policial fez um apelo às autoridades britânicas para que uma alfândega fosse instalada na ilha. Como não existe esse controle de fronteiras, é muito fácil que drogas e outros contrabandos entrem na ilha por meio das embarcações que atracam diariamente.

O residente mais famoso da prisão de Sark foi André Gardes, um físico nuclear francês que tentou invadir e conquistar a ilha sozinho em 1990, armado com um rifle semiautomático. Ele foi rendido pelo agente policial enquanto descansava em um banco e levado para o cárcere. Não aprendeu muita coisa: no ano seguinte, tentou de novo. Mas foi reconhecido antes de entrar na ilha e entregue à polícia francesa.

(Por Victor Bianchin)

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