Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em março, Cuiabá ocupou o terceiro lugar no ranking de cestas básicas mais caras do país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. No estado do agronegócio, o custo para se alimentar consome mais da metade do salário mínimo líquido, isto é, após descontos. Os dados são da Análise Mensal da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O primeiro trimestre de 2026 foi instável: a cesta começou janeiro em R$ 810,82, teve uma leve queda em fevereiro, deixando a capital em 4º lugar, mas saltou para R$ 838,40 em março, retornando ao top três.

Enquanto a maioria dos brasileiros gastou cerca de 46% do salário com comida no início do ano, em Cuiabá a conta foi bem mais salgada. Em março, o custo da cesta básica na capital chegou a comprometer 56% do salário líquido do trabalhador, exigindo quase 114 horas de trabalho.

Na prática, isso significa que o trabalhador cuiabano trabalha do dia 1º até o meio do dia 15 de cada mês apenas para colocar comida na mesa. Só a partir do 16º dia é que ele começa a ganhar dinheiro para o aluguel, luz e outras contas.

Março foi o mês mais crítico não apenas pelo valor, mas pela falta de opções. Quando 11 dos 13 produtos sobem ao mesmo tempo, como ocorreu agora, o consumidor perde o ‘poder de substituição’, que é a chance de trocar um item caro por um mais barato. Nesse período, os grandes vilões foram o tomate, o feijão carioca e a batata, enquanto o óleo de soja, a banana e o açúcar deram um leve alívio no bolso.

CENÁRIO NACIONAL

Não é só Cuiabá que enfrenta uma alta generalizada no preço dos alimentos: a comida está mais cara em todas as capitais. O primeiro trimestre de 2026 encerra-se com um cenário de alerta para a segurança alimentar, onde a inflação dos alimentos básicos cresce em ritmo superior ao poder de compra, especialmente nas capitais do Centro-Sul e Sudeste.

De acordo com o preceito constitucional de que o salário deve suprir todas as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, o Dieese estimou que o valor ideal deveria ser muito superior ao piso vigente de R$ 1.621,00:

Janeiro: R$ 7.177,57

Fevereiro: R$ 7.164,94

Março: R$ 7.425,99 (equivalente a 4,58 vezes o mínimo atual).

(HNT)