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JANAÍNA FRANCO

No setor da saúde, onde decisões impactam diretamente a vida das pessoas, a liderança exige muito mais do que conhecimento técnico ou capacidade de gestão. Exige sensibilidade, escuta e a habilidade de compreender o ser humano em sua complexidade. Nesse contexto, o crescimento da presença feminina em posições estratégicas tem trazido novas perspectivas para a administração hospitalar e para o cuidado com pacientes, equipes e comunidades.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um momento oportuno para refletir sobre como a presença feminina em cargos de liderança tem contribuído para transformar ambientes corporativos e, especialmente, instituições de saúde. Em hospitais, onde a tecnologia e a ciência caminham lado a lado com a empatia e o acolhimento, o olhar feminino tem ajudado a fortalecer uma gestão mais humana, colaborativa e orientada ao cuidado integral.

Historicamente, as mulheres sempre estiveram presentes no cuidado em saúde — seja na enfermagem, na assistência ou na gestão de equipes. No entanto, a ascensão a cargos de alta liderança ainda é um caminho em construção. Felizmente, esse cenário vem mudando gradualmente. Cada vez mais, mulheres assumem posições de direção e conduzem instituições complexas com competência, equilíbrio e visão estratégica.

A liderança feminina traz consigo características que fazem diferença no ambiente hospitalar. A escuta ativa, por exemplo, favorece a construção de relações mais próximas com profissionais e pacientes. A capacidade de conciliar múltiplas demandas — algo que muitas mulheres exercitam diariamente em suas trajetórias pessoais e profissionais — também contribui para uma gestão mais integrada e eficiente.

Em um hospital, liderar significa garantir qualidade assistencial, segurança do paciente, sustentabilidade financeira e, ao mesmo tempo, promover um ambiente de trabalho saudável para centenas ou até milhares de profissionais. O olhar feminino tende a valorizar a colaboração, o diálogo e o desenvolvimento das pessoas, elementos fundamentais para que as instituições de saúde se tornem cada vez mais inovadoras e resilientes.

Outro aspecto importante da presença feminina na liderança é o impacto positivo que ela gera para as próximas gerações. Quando jovens profissionais veem mulheres ocupando cargos de direção, tornam-se mais capazes de imaginar seus próprios caminhos de crescimento. A representatividade abre portas, inspira trajetórias e amplia horizontes.

Celebrar o Dia Internacional da Mulher, portanto, vai além de reconhecer conquistas. É também reafirmar a importância de continuar avançando na construção de ambientes mais diversos e inclusivos, onde talento, competência e dedicação sejam os principais critérios para ocupar espaços de decisão.

Na área da saúde, onde o propósito maior é cuidar da vida, ampliar a presença feminina na liderança significa também fortalecer uma cultura organizacional baseada no respeito, na empatia e na responsabilidade coletiva. Valores que fazem toda a diferença dentro de um hospital — e que impactam diretamente a experiência de quem cuida e de quem é cuidado.

Mais do que ocupar cargos, mulheres líderes ajudam a transformar a forma como as instituições pensam, se organizam e se relacionam com a sociedade. E, quando esse olhar chega à gestão hospitalar, ele tem o potencial de tornar o cuidado ainda mais humano, eficiente e conectado com as reais necessidades das pessoas.

(*) Dra. JANAÍNA FRANCO é Diretora Geral do Hospital São Mateus.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias News MT

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