Para se chegar nas 8 toneladas, o T. rex deveria manter uma dieta pesada, alimentando-se, em média, de uma tonelada por semana — Foto: Petr Kratochvil/Domínio público

O Tiranossauro (Tyrannosaurus rex) não recebeu esse nome por acaso. As propriedades de um dinossauro apelidado como “rei dos lagartos tiranos” precisam simbolizar tamanho e força, e isso o T. rex tinha de sobra. Ele chegava a ultrapassar os 12 metros de altura e podia pesar até 8 toneladas. Mas como um réptil poderia atingir essas dimensões?

De acordo com pesquisa liderada pela Universidade Estadual de Oklahoma, o réptil parece ter tido um tipo de “puberdade prolongada”, já que atingia seu tamanho máximo entre os 35 e 40 anos de idade. O estudo, publicado em 14 de janeiro na revista científica PeerJ, sugere que o tempo prolongado de crescimento dos T. rex permitiu que eles dominassem seus ecossistemas ao longo de milhares de anos.

O segredo dos anéis ósseos

Estudos anteriores estimavam que o crescimento de um Tiranossauro chegava ao seu máximo lá pelos 25 anos de idade e tinha uma expectativa de vida próxima dos 30 anos. Porém, estipular essas medidas depende de amostragem de múltiplos elementos esqueléticos de um dinossauro, e segundo o estudo, há uma carência de espécimes em estágios iniciais de crescimento.

Por conta disso, os pesquisadores decidiram construir a análise histológica mais abrangente de desenvolvimento de Tyrannosaurus até o momento, utilizando fêmures e tíbias de 17 indivíduos, desde juvenis pequenos até adultos de grande porte.

Fatias de ossos dos espécimes foram capazes de ajudar os cientistas a compreender a taxa geral de crescimento dos Tiranossauros — Foto: Dr. Holly Woodward Ballard/PeerJ
Fatias de ossos dos espécimes foram capazes de ajudar os cientistas a compreender a taxa geral de crescimento dos Tiranossauros — Foto: Dr. Holly Woodward Ballard/PeerJ

A estratégia usada para saber o quanto e quão rápido um Tiranossauro crescia e atingia a maturidade foi semelhante àquela feita em árvores: contar e medir a largura dos anéis de crescimento de dentro de um tronco – nesse caso, um osso – sendo que anéis mais largos indicam um crescimento mais acentuado.

“A análise dos anéis de crescimento preservados nos ossos fossilizados permitiu-nos reconstruir o histórico de crescimento dos animais ano a ano”, diz Holly Woodward, paleontóloga da Universidade Estadual de Oklahoma e principal autora do estudo, em comunicado.

Com o padrão de crescimento detectado nos répteis, foi possível estimar uma trajetória de crescimento até a maturidade quanto descartar “dois espécimes imaturos dentro do complexo de espécies Tyrannosaurus rex não estatisticamente compatíveis com as outras séries de crescimento” — Foto: Dr. Holly Woodward Ballard/PeerJ
Com o padrão de crescimento detectado nos répteis, foi possível estimar uma trajetória de crescimento até a maturidade quanto descartar “dois espécimes imaturos dentro do complexo de espécies Tyrannosaurus rex não estatisticamente compatíveis com as outras séries de crescimento” — Foto: Dr. Holly Woodward Ballard/PeerJ

Ampliação de espécies

Com o tratamento dos dados a partir de modelos estatísticos, os cientistas foram capazes de construir uma trajetória de crescimento geral para as espécies, demonstrando um atraso na obtenção do tamanho máximo em comparação com estimativas anteriores. Em outras palavras, o réptil teria uma taxa de crescimento mais lenta do que se imaginava.

“Uma fase de crescimento de quatro décadas pode ter permitido que os tiranossauros mais jovens desempenhassem uma variedade de funções ecológicas em seus ambientes. Esse pode ser um dos fatores que lhes permitiu dominar o final do período Cretáceo como carnívoros de topo”, afirma John Horner, pesquisador da Universidade de Chapman que é um dos autores do estudo.

Outro avanço interessante foi considerar que exemplares de répteis anteriormente identificados como T. rex podem, na verdade, pertencer a outras espécies relacionadas, assim estabelecendo o estudo de padrão de crescimento como algo baseado num complexo de espécies. Curvas de crescimento de dois espécimes – conhecidos como “Jane” e “Petey” – são estatisticamente incompatíveis com a dos demais.

Segundo o comunicado, “embora os registros de crescimento por si só não possam estabelecer se eles eram espécies separadas, as evidências sugerem essa possibilidade intrigante, entre outras explicações possíveis”.

(Por Fernanda Zibordi)

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