Os principais pré-candidatos ao Governo, vice-governador Otaviano Pivetta e os senadores Wellington Fagundes e Jayme Campos - Montagem/MidiaNews

As redes sociais se consolidaram como o principal campo de disputa política em Mato Grosso e devem exercer papel decisivo nas eleições de 2026. Mais do que ferramentas de divulgação, as plataformas digitais passaram a influenciar diretamente a construção de imagem dos candidatos, a relação com o eleitor e a forma como as campanhas se organizam internamente.

“Dentro de uma disputa majoritária, hoje, você não consegue mais fazer uma eleição ignorando as redes sociais”

A avaliação é do marqueteiro Humberto Frederico e do analista político Onofre Ribeiro, que apontam que houve uma transformação definitiva das campanhas políticas no Estado.

Com a virada para o ano eleitoral, nomes já colocados na disputa em Mato Grosso intensificaram de forma visível a presença nas redes sociais.

Os principais pré-candidatos ao Governo, como o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União), passaram a ampliar a frequência de postagens e investir em conteúdos mais pessoais, em uma tentativa de fortalecer vínculo com o eleitorado e ampliar o alcance orgânico.

Os especialistas apontam que o ambiente digital impôs um novo padrão às disputas eleitorais, marcado pela profissionalização, pela segmentação do público e pelo uso crescente de tecnologias como a inteligência artificial.

Responsável por diversas campanhas políticas em Mato Grosso, o marqueteiro Humberto Frederico afirmou que disputar uma eleição hoje exige método, estratégia e planejamento, deixando para trás a lógica do improviso que ainda predominava em pleitos anteriores.

Esse cenário obriga candidatos e equipes a investirem mais em relacionamento qualificado, mobilização inteligente e construção de base, em vez de apostar apenas no excesso de exposição.

“A estratégia passou a valer ainda mais do que o volume de campanha. Antes a gente falava só de aparecer muito, agora você precisa ser mais estratégico”, afirmou em entrevista ao MidiaNews.

Há anos trabalhando nos bastidores das eleições, Humberto avaliou que hoje não é possível se eleger sem trabalhar uma campanha nas redes.

“Ignorando hoje é impossível você fazer uma eleição. Principalmente quando a gente está falando de majoritário. Dentro de uma disputa majoritária, hoje, você não consegue mais fazer uma eleição ignorando as redes sociais”, disse.

Nesse contexto, Humberto avalia que a segmentação do público é indispensável, uma vez que cada rede social concentra perfis distintos de eleitores, exigindo linguagem, formato e abordagem próprios, o que tem levado campanhas mais estruturadas a dividir equipes por plataforma.

O analista político Onofre Ribeiro também compartilha da mesma visão e afirmou que, enquanto outras formas tradicionais de campanha entram em desuso, a propaganda eleitoral pela internet ganha cada vez mais destaque.

“O candidato tem que ser visualizado e comprado, ele tem que usar a rede social, de outro modo ele não atinge mais ninguém, ele precisa ser visto antes. Se não é candidato de si mesmo”, disse.

“Os mecanismos antigos, tipo comício, já não funcionam mais, as reuniõezinhas dos bairros já não funcionam mais, todo mundo tem um celular e todo mundo está buscando informação”.

Erro de comportamento

No ambiente cada vez mais digital, o comportamento pessoal do político também ganhou peso estratégico.

Pivetta, WF e Jayme printOs principais nomes na disputa ao Governo, Pivetta, WF e Jayme, tem usado as redes sociais para compartilhar momentos pessoais e não apenas de trabalho

Para buscar de aproximar dos eleitores, vemos políticos cada vez mais descontruindo sua figura de seriedade para interagir de forma mais humana e descontraída nas redes sociais. Vídeos com a família, brincando com funcionários e de “erros de gravação” se tornaram cada vez mais comuns.

Humberto vê esse tipo de engajamento como uma estratégia positiva, porém, destacou que o eleitor valoriza autenticidade e rejeita personagens artificiais criados apenas para as redes.

Para ele, um dos maiores erros que um político pode cometer é tentar criar um personagem para agradar o eleitor.

“Tem uma frase que sempre digo: A autenticidade torta vale mais que sinceridade ensaiada. Quanto mais autêntica a pessoa é e mostra isso dentro da sua rede, mais as pessoas têm interesse nela”.

“Agora, quando você tenta ensaiar uma sinceridade as pessoas percebem, você consegue ver que aquilo ali é forçado, e as pessoas tendem a abandonar esse perfil’, disse.

Fortalecimento da IA e desinformação

Outro fator que deve marcar profundamente a eleição de 2026 é a incorporação definitiva da inteligência artificial (IA) às campanhas.

Para Humerto, a tecnologia amplia as possibilidades de planejamento, produção de conteúdo e organização interna, mas também eleva o risco da desinformação, já que narrativas falsas se tornam mais sofisticadas e difíceis de identificar.

“Você pode usar ela como um auxílio dentro de uma campanha eleitoral para otimizar tempo, por exemplo. Mas você não pode sustentar a eleição em cima da inteligência artificial”, afirmou.

A consolidação das redes sociais como eixo central das campanhas também ampliou a preocupação com o monitoramento constante do ambiente digital.

“O candidato tem que ser visualizado e comprado, ele tem que usar a rede social, de outro modo ele não atinge mais ninguém, ele precisa ser visto antes”

O avanço das fake news tornou indispensável a atuação permanente de equipes especializadas, tanto para acompanhar o que circula sobre os candidatos quanto para identificar conteúdos falsos produzidos com o auxílio da inteligência artificial.

Esse trabalho, segundo Humberto, deixou de ser pontual e passou a integrar a rotina diária das campanhas eleitorais.

Importância das redes

Na avaliação do marqueteiro, campanhas bem-sucedidas em 2026 terão em comum a antecipação do diálogo com o eleitor.

Embora a televisão e o rádio ainda concentrem parcela significativa dos investimentos, o engajamento mais direto e cotidiano acontece no ambiente digital, que não pode mais ser tratado como secundário.

 

“O digital ainda é subestimado por muita gente. O investimento maior dentro de uma eleição ainda continua sendo para televisão, produtora, que é importante, volto a repetir, mas não pode se esquecer do engajamento”, disse.

Onofre reforça que o pleito de 2026 representa uma ruptura com os modelos tradicionais de campanha no Brasil. Para ele, nunca as redes sociais tiveram tanto poder de influência quanto agora, especialmente após o período de intensa polarização política nacional, que transformou as plataformas digitais em espaços essencialmente políticos.

“As redes sociais nasceram para mandar beijinho, mandar resultado de futebol, piadinha, agora não, agora elas são totalmente politizadas. […]Então, o que nós podemos dizer é que a rede social vai se tornar essencialmente política nesta eleição, vai ser o grande palanque”.

(MidiaNews)

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