Gengis Khan, líder do antigo Império Mongol, foi conhecido por seu poderio militar, mas também por ser o “pai de muitos filhos”. Um estudo de 2003 afirma que o conquistador tem um legado genético impressionante: uma linhagem incomum do cromossomo Y associada aos descendentes de Gengis Khan seria encontrada em 0,5% da população masculina mundial. Isso significa que 1 em cada 200 homens poderia ser descendente direto do imperador.
A história, já bem difundida no folclore do Cazaquistão e de outros países que antes formavam o Império Mongol, pode, agora, sofrer uma reviravolta. Uma nova pesquisa sugere que o número de parentes de Genghis Khan – estimado em 16 milhões de homens – é muito menor do que se pensava.
Publicado na revista científica PNAS em 19 de fevereiro, o estudo investigou o DNA de esqueletos encontrados em um mausoléu em Ulytau, onde o filho mais velho do imperador mongol, Jochi, teria sido enterrado. Os resultados indicam que o ramo da família genética C3*, a qual a linhagem de Gengis Khan pertenceria, é mais raro que estimado anteriormente.
Um cromossomo viajando pelo Império Mongol
A habilidade dos mongóis em montar a cavalo e atirar com arco e flecha os permitiu conquistar rapidamente um vasto território que se estendia do Oceano Pacífico até a Europa Central. Os descendentes de Gengis Khan foram responsáveis por governar áreas desse império. Jochi, por sua vez, ficou encarregado de controlar a região noroeste, conhecida como Horda Dourada (a qual você vê destacada no mapa abaixo).
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Em entrevista ao site Live Science, Ayken Askapuli, principal autor do novo estudo, diz que esse domínio durou muitas gerações, mas que nenhum dado de DNA foi achado desses indivíduos que confirmem sua descendência de Gengis Khan. Afinal, não há registros genéticos do líder mongol pelo fato do seu túmulo nunca ter sido encontrado.
O estudo de 2003 defende que o incomum cromossomo Y, originário na Mongólia há cerca de mil anos e que é encontrado em 8% dos homens de 16 populações da Ásia, não poderia ter se disseminado tão rapidamente por mero acaso. Um processo de seleção natural teria acontecido, e os descendentes paternos de Gengis Khan entrarariam nessa história.
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Vestígios da linhagem
Askapuli e sua equipe chegaram a descoberta de que os três homens enterrados em mausoléus em Ulytau – mesmo não tendo idade suficiente para serem filhos de Gengis Khan – compartilhavam uma linhagem paterna entre si e tinham um ancestral recente na linhagem C3*.
A grande virada no jogo consiste que o grupo C3* é uma família genética muito grande, o que era desconhecido em 2003. DNAs da elite da Horda Dourada estão inclusos na família, assim como muitos outros. O código genético de Jochi, e consequentemente de Gengis Khan, pode estar dentro disso. Mas, sem um registro histórico certeiro, fica difícil confirmar.
A linhagem específica encontrada pelos cientistas nos esqueletos do mausoléu é muito mais rara do que a descrita no estudo de 2003. Isso significa que, se esses homens forem descendentes do conquistador mongol, um número muito menor de homens vivos atualmente são parentes dele do que se pensava.
“Se tivermos um túmulo com registro histórico e uma lápide que indique que o indivíduo pertencia aos descendentes de Gengis Khan, e se fizermos testes genéticos nesses indivíduos, acredito que seja possível chegar a uma conclusão definitiva.
(Por Fernanda Zibordi)
Gengis Khan foi um habilidoso guerreiro e estrategista que fundou o Império Mongol, o maior império em extensão contínua da história — Foto: Vaiz Ha/Wikimedia Commons

