Reprodução/Prefeitura de Cuiabá - Foto: Gustavo Duarte

A influenza chegou mais cedo na baixada cuiabana em 2026 e pegou de surpresa a saúde do município. Em março, houve um aumento de 300% nas internações em enfermarias, aumento de casos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) adulto, pediátrica e neonatal e aumento expressivo na positividade de exames nos últimos trinta dias. A médica infectologista e de controle de infecção hospitalar, Kadja Leite, explica que essa alta é atípica e deverá ser investigada.

A profissional trabalha como médica no município de Várzea Grande, no hospital Femina e na Amecor. Ela confirmou o cenário de crise nos hospitais, ressaltando um crescimento exponencial de internações em enfermarias, o comum era haver dois internados por infecção respiratória agora há sete, além de uma alta expressiva nos resultados positivos dos testes de Influenza A.

A médica começou a observar esse aumento ainda na primeira quinzena de março. É comum que os casos comecem a aumentar ainda no outono (março, abril, maio) e atinjam o pico durante o inverno (junho, julho, agosto), no entanto, os dados indicam que este ano a incidência começou antes do previsto e o cenário já se arrasta há um mês.

A Prefeitura atribui os aumentos ao volume das chuvas. Fevereiro atingiu recorde pluviométrico na capital, foi o maior volume dos últimos anos de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No entanto, Kadja discorda, ela afirma que o vírus vive mais em temperaturas mais baixas, o que não tem ocorrido. Para ela, será necessário investigar o caso epidemiologicamente.

SITUAÇÃO EMERGENCIAL

Dados da Vigilância Epidemiológica apontam que os casos de influenza A e B tiveram um salto de 824% em 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), reforçou o atendimento nas unidades de urgência e emergência da capital. A rede municipal opera em regime de atenção redobrada, com ampliação de equipes, plantões reforçados e monitoramento constante dos casos.

No mês de março, a Prefeitura de Cuiabá confirmou que 35% dos atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município correspondem a ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). A Srag representa uma infecção respiratória desencadeada pela piora de doenças respiratórias que vão desde influenza até coronavírus.O Boletim da FioCruz, publicado na sexta-feira (20), indicou alerta de risco máximo para a síndrome em Mato Grosso. No Centro-Oeste, apenas MT está no patamar mais elevado para a Srag.