Uma moeda de ouro descoberta por um detectorista de metais no Reino Unido pode ter relação com a invasão viking na Inglaterra no século 9. O item, encontrado em 2024 em um campo próximo à pequena vila de Elsing, em Norfolk, pode ter pertencido a um guerreiro do Grande Exército Pagão, que invadiu o território inglês em 865.
Segundo o programa Portable Antiquities Scheme, administrado pelo Museu Britânico e pelo Amgueddfa Cymru – Museum Wales, a região onde a moeda foi encontrada está entre as primeiras áreas ocupadas pelo exército viking na costa leste da Inglaterra.
A moeda, cunhada há mais de mil anos, é uma imitação de modelos mais conhecidos que foi transformada em um pingente ou medalhão para ser usada presa a um cordão no pescoço. Em entrevista à BBC, o numismata Simon Coupland — especialista no estudo de moedas, cédulas e medalhas —, afirmou que o objeto provavelmente pertenceu a um dos invasores.
O item é uma cópia em ouro maciço de moedas “sólidas” cunhadas aproximadamente 50 anos antes da invasão pelo imperador carolíngio Luís, o Piedoso, filho de Carlos Magno.
Os sólidos originais eram distribuídos a nobres de alto escalão do Império Carolíngio, já as cópias produzidas posteriormente provavelmente vieram da Frísia — área que atualmente abrange o norte da Holanda e o extremo oeste da Alemanha.
De acordo com Coupland, essas cópias eram usadas como um tipo de “riqueza portátil” em toda a Escandinávia. Para o especialista, é provável que a moeda encontrada tenha sido usada como amuleto por um viking. “O achado em Norfolk é um exemplar particularmente excelente em comparação com a maioria. É uma cópia bastante fiel do original”, disse.
Até agora, 22 moedas semelhantes já foram encontradas na Grã-Bretanha — um conjunto que, segundo Coupland, permite traçar a rota do Grande Exército Pagão pelo território.
Ele também destaca que há divergências entre especialistas sobre a quantidade de moedas originais que ainda existem. “Um estudioso francês afirma que existem apenas três [exemplares], mas potencialmente existem até seis originais”, afirmou.
Como destaca o site Live Science, o objeto passa agora por uma investigação oficial para determinar se deve ser classificado legalmente como “tesouro” e se será doado ou vendido a um museu. O Museu do Castelo de Norwich, em Norfolk, já manifestou interesse em adquirir a peça.
A descrição no site do Portable Antiquities Scheme informa que a moeda de ouro apresenta duas perfurações acima da cabeça do imperador Luís, indicando que o lado com o retrato ficava voltado para a frente quando usada como medalhão. No verso dela, há uma cruz cristã, um símbolo que provavelmente não tinha valor religioso para quem a utilizava. Os vikings e outros povos nórdicos, incluindo o reino da Dinamarca, só começaram a se converter ao cristianismo no final do século 10.
Invasão viking
O “Grande Exército Pagão”, como os ingleses cristãos apelidaram a força viking, iniciou a invasão na Inglaterra em 865 sob liderança dos chefes dinamarqueses Ivar, o Desossado, Halfdan e Ubba, que afirmavam ser filhos do lendário rei viking Ragnar Lothbrok, constantemente retratado em sagas nórdicas.
Especialistas ainda divergem sobre o tamanho do exército, já que estimativas variam de cerca de mil a mais de 5 mil guerreiros vikings. Com o avanço dos conflitos, o exército recebeu reforços vindos da Escandinávia em 871.
Alguns anos depois, em 878, seus líderes fizeram um acordo com o rei inglês Alfredo, o Grande, estabelecendo o território viking conhecido como Danelaw. O acordo manteve os invasores fora das terras de Alfredo e criou uma região com leis próprias, que se estendeu por grande parte do leste e do norte da Inglaterra por mais de 50 anos.
Décadas depois, os sucessores de Alfredo reconquistaram esses territórios e os reintegraram ao reino inglês, que, mais tarde, seria dominado pelos normandos em 1066.
(Por Sarah Macedo)


