A morte de Olga Beatriz Santos da Silva, de apenas 11 anos, completou um mês nesta terça-feira (07) e, mesmo passados trinta dias do caso, o laudo da necropsia da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) ainda não foi entregue à investigação, bem como à defesa da família da vítima. Olga Beatriz Santos da Silva foi morta pelo pai, Claudinei da Silva, em uma residência de Várzea Grande. A vítima foi estrangulada por Claudinei, que permanece preso e aguardando o desenrolar do caso na Justiça.
Conforme informações obtidas pela reportagem do Olhar Direto, além do exame de necropsia, algumas lacunas ainda precisam ser pavimentadas para que o caso avance. Diligências ainda estão pendentes de cumprimento por parte da DHPP e um novo pedido de interrogatório de Claudinei foi negado pela investigação.
Até o momento, algumas hipóteses sobre a motivação de Claudinei estão estabelecidas. Uma das linhas de investigação aponta que o suspeito matou a pequena Olga após flagrar uma troca de mensagens entre a vítima e outro menino. Ao Olhar Direto, o delegado Nilson Farias, que fez a prisão de Claudinei, explicou que o suspeito tinha um sentimento de posse para com a filha. Nas palavras da delegada Jéssica Assis, que preside as investigações do caso, Olga não tinha autonomia de vontade e ela foi punida por se expressar.
“A visão que ele tinha da filha era uma visão de posse, então ele a via como posse dele. Então, quando ele viu uma conversa dela com outra pessoa, o que ele entendeu? Que ele estava perdendo. Então, o que gera a agressão na maioria dos casos de violência doméstica é essa sensação de posse do homem, de se sentir dono da mulher, de o homem se sentir dono da filha, e quando ele vê outra pessoa querendo tomar um espaço que ele entende ser dele, ele acredita que, por meio da agressão, ele consegue reverter isso, e infelizmente é onde nós temos tragédias de feminicídio. Então, essa mentalidade machista tem que mudar”, falou Nilson Farias.
“Um pai que mata uma filha porque a filha expressa os seus primeiros desejos amorosos, porque ela não tem autonomia de vontade, ela não foi orientada, ela foi punida por se expressar, por começar a se desenhar como uma mulher perante a sociedade”, asseverou Jéssica Assis.
A versão apresentada até o momento pela DHPP, no entanto, é negada pela defesa da mãe de Olga, que, ao Olhar Direto, informou que a filha sequer tinha celular e que ainda brincava de boneca, tendo inclusive amigas mais novas que ela, com idades entre oito e nove anos.
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