(Por Redação Galileu) Mulher foi identificada em mosaico romano destruído mais de um século atrás — Foto: Reprodução

Um mosaico romano destruído há mais de um século reescreveu silenciosamente a história das mulheres na arena. O que antes era visto como uma figura ambígua está sendo reconhecida como a única representação visual de uma caçadora de feras, ou venatrix, no mundo romano, de que se tem conhecimento. Um estudo sobre o tema foi publicado em 22 de março no periódico The International Journal of the History of Sport.

A descoberta foi revivida por Alfonso Mañas, pesquisador da Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, que contesta essas antigas suposições sobre o papel e a longevidade das mulheres nos espetáculos romanos. Ele sugere que a participação delas nas caçadas na arena durou muito mais tempo do que se acreditava até então.

Mosaico romano

O mosaico foi descoberto em 1860 em Reims, na França, uma das principais cidades romanas da Antiguidade. Com uma medida de 11 x 9 metros, a arte apresentava um arranjo complexo de medalhões que retratavam cenas e figuras do anfiteatro, como gladiadores, animais selvagens e caçadas.

O artefato, no entanto, foi destruído durante um bombardeio na Primeira Guerra Mundial, em 1917. O que resta hoje são apenas desenhos do século 19 feitos pelo arqueólogo Jean-Charles Loriquet, que são bastante precisos quando comparados aos fragmentos que sobreviveram ao tempo.

Mosaico encontrado em 1860 em Reims, na França — Foto: Reprodução
Mosaico encontrado em 1860 em Reims, na França — Foto: Reprodução

O mosaico caiu no esquecimento por décadas, até recentemente. O estudo realizado por Mañas reavalia a figura central de um dos medalhões dentro do mosaico. Loriquet chegou a sugerir que aquela era uma mulher, porém pesquisadores posteriores a identificaram como um artista masculino ou, até mesmo, um gladiador cômico.

Já Mañas observou que a figura é retratada segurando um chicote, posicionada ao lado de um leopardo e conduzindo o animal em direção a outro caçador. Ela é mostrada com o peito nu e seios definidos, uma escolha artística intencional que não é observada em nenhuma das outras figuras masculinas presentes no mesmo mosaico.

Essa constatação, junto às características faciais da figura e ao contexto, torna difícil ignorar o fato de que se trata de uma mulher. E não uma mulher qualquer, mas uma participante treinada na arena: ela segura um chicote, interage ativamente com o animal e participa de uma caçada coordenada.
A pesquisa define essa mulher como uma venatrix, ou seja, uma caçadora treinada para lutar contra feras em caçadas encenadas na arena — Foto: Reprodução
A pesquisa define essa mulher como uma venatrix, ou seja, uma caçadora treinada para lutar contra feras em caçadas encenadas na arena — Foto: Reprodução

A pesquisa define essa mulher como uma venatrix, ou seja, uma caçadora treinada para lutar contra feras em caçadas encenadas na arena. Mais especificamente, ela parece ser uma assistente que conduzia os animais em direção a outros caçadores para o golpe final. O estudo ressalta que esse papel exigia habilidade, precisão e treinamento, pois era uma performance.

Capítulo esquecido

Por mais de um século, o mosaico foi esquecido. Agora, no entanto, ocupa o centro de uma revisão histórica significativa: através de um estudo acadêmico cuidadoso e de evidências há muito deixadas de lado, a mulher do mosaico emergiu como uma figura poderosa, ampliando nossa compreensão sobre gênero, performance e espetáculo no mundo romano.

(Por Redação Galileu)

Mulher foi identificada em mosaico romano destruído mais de um século atrás — Foto: Reprodução

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