O SS Richard Montgomery era um navio cargueiro Liberty americano. O navio naufragou no banco de areia de Nore, no estuário do Tâmisa, perto de Sheerness, Kent, Inglaterra, em agosto de 1944, com cerca de 1.400 toneladas de explosivos a bordo — Foto: Andrea Pucci

Autoridades britânicas avançam em um plano delicado e aguardado há anos: a remoção dos mastros docargueiro SS Richard Montgomery, um naufrágio da Segunda Guerra Mundial que ainda abriga cerca de 1400 toneladas de explosivos. A operação, orçada em 9,5 milhões de libras (aproximadamente R$ 65,6 milhões, na cotação atual), busca reduzir riscos associados tanto à deterioração estrutural quanto a ameaças externas.

O navio pertencia aos Estados Unidos e era da classe Liberty. Ele encalhou em agosto de 1944 no estuário do rio Tâmisa, próximo à costa de Sheerness, na Inglaterra, enquanto transportava munições destinadas às forças aliadas na invasão da Normandia. Pouco mais de um mês após o acidente, as tentativas de resgate foram abandonadas quando a embarcação ficou completamente alagada, deixando intacta a maior parte de sua carga explosiva nos porões dianteiros.

De lá para cá, os mastros do navio — ainda visíveis acima da superfície — tornaram-se um símbolo do naufrágio e uma fonte permanente de preocupação. Especialistas alertam que a remoção dessas estruturas é essencial para evitar que o colapso dos mastros faça a estrutura cair sobre o material altamente inflamável que está logo abaixo.

Vista dos destroços do SS Richard Montgomery, navio cargueiro usado durante a 2ª Guerra Mundial, que estava ancorado em Sheerness, Kent, quando encalhou e se partiu em 1944. Por quase 70 anos, ele repousou em um banco de areia com 1.400 toneladas de explosivos a bordo — Foto: Gareth Fuller/Getty Images
Vista dos destroços do SS Richard Montgomery, navio cargueiro usado durante a 2ª Guerra Mundial, que estava ancorado em Sheerness, Kent, quando encalhou e se partiu em 1944. Por quase 70 anos, ele repousou em um banco de areia com 1.400 toneladas de explosivos a bordo — Foto: Gareth Fuller/Getty Images

Ameaças modernas ampliam o risco

Para além dos riscos estruturais, cresce a apreensão com ameaças contemporâneas. As autoridades britânicas consideram o naufrágio um alvo vulnerável para ataques com drones. “Não é necessário ser um ator estatal altamente sofisticado para lançar um ataque de sabotagem usando drones disponíveis comercialmente”, alerta Katja Bego, pesquisadora do think tank Chatham House, ouvida pelo jornal The Telegraph.

Avaliações governamentais anteriores indicam que uma eventual detonação poderia provocar “danos massivos e perda de vidas”, inclusive com a formação de uma onda de até cinco metros de altura, capaz de atingir a costa e infraestruturas críticas, como um importante terminal de gás natural liquefeito. Por isso, como medida preventiva, uma zona de exclusão aérea foi estabelecida ao redor do local, proibindo voos de aeronaves e drones em um raio de aproximadamente 1,8 km.

Operação atrasada

Mesmo com tamanha urgência para solucionar o problema, o projeto sofreu sucessivos atrasos. Inicialmente anunciado anos atrás e previsto para começar em 2022, o plano foi adiado diversas vezes. Agora, o Departamento de Transportes britânico confirmou a seleção de uma empresa especializada para conduzir a remoção, com trabalhos previstos entre abril de 2026 e março de 2027, podendo se estender conforme as condições climáticas.

“Nossa prioridade será sempre garantir a segurança do público e reduzir qualquer risco representado pelo SS Richard Montgomery”, ressalta o departamento, em nota enviada à BBC News. “O estado dos destroços permanece estável e continua sendo monitorado por especialistas.”

Uma imagem de sonar oferece uma visão detalhada do SS Richard Montgomery encalhado em um banco de areia sob as ondas — Foto: Maritime Coastguard Agency
Uma imagem de sonar oferece uma visão detalhada do SS Richard Montgomery encalhado em um banco de areia sob as ondas — Foto: Maritime Coastguard Agency

(Por Arthur Almeida)