Fragmentos ósseos de uma criança e pingentes pré-históricos estão entre as descobertas feitas por arqueólogos na Caverna 338, na Cordilheira dos Pirenéus, onde também foram identificados indícios de mineração de cobre em grande altitude há milhares de anos. Segundo estudo publicado na última segunda-feira (4) na revista Frontiers in Environmental Archaeology, o local foi utilizado de forma recorrente entre cerca de 5.500 e 3.000 anos atrás, contrariando a visão de que essas regiões eram apenas zonas de passagem.
A caverna, situada a 2.235 metros acima do nível do mar no Vale do Freser, apresenta uma sequência arqueológica com quatro camadas de ocupação. Nas camadas intermediárias, os pesquisadores encontraram 23 lareiras associadas a fragmentos de minerais verdes, possivelmente malaquita (matéria-prima para a produção de cobre).
“Durante muito tempo, os ambientes de alta montanha foram vistos como marginais, lugares por onde as comunidades pré-históricas passavam ocasionalmente”, afirma o professor Carlos Tornero, autor principal do estudo, em comunicado à imprensa. “Mas encontramos uma sequência arqueológica muito rica, incluindo múltiplas estruturas de combustão e um grande número de fragmentos de minerais verdes.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/v/y/IzudcgQtOGUB4MxMtBZA/they-werent-burned-by-2.jpg)
Uso controlado do fogo
A presença de minerais queimados sugere processamento intencional. “Muitos desses fragmentos sofreram alterações térmicas, enquanto outros materiais na caverna não, o que sugere claramente que o fogo desempenhou um papel importante em seu processamento”, explica a pesquisadora Julia Montes-Landa, coautora do estudo. “Em outras palavras, eles não foram queimados por acidente.”
De acordo com a equipe responsável, o padrão dos vestígios indica que as visitas à caverna eram planejadas e envolviam conhecimento técnico. Apesar disso, não há evidências de ocupação permanente, o que reforça a hipótese de uso sazonal ou funcional do espaço.
Restos humanos
Na terceira camada da escavação, os cientistas encontraram um osso de dedo e um dente de leite que pertenciam a uma criança de cerca de 11 anos. A descoberta levanta a possibilidade de que o local também tenha sido utilizado para práticas funerárias, embora ainda não haja dados suficientes para confirmar essa hipótese.
Já na segunda camada, dois pingentes fornecem pistas sobre aspectos culturais. “O pingente de concha apresenta paralelos em outros sítios da Catalunha, o que sugere tradições compartilhadas ou conexões entre diferentes comunidades”, aponta Tornero. “O pingente de dente de urso é muito menos comum. Isso pode indicar algo mais específico ou simbólico, possivelmente ligado ao ambiente local.”
Os pesquisadores destacam que a identificação do mineral verde ainda é preliminar e que a escavação não atingiu sua profundidade total. “A identificação do mineral verde como malaquita ainda é precisa ser confirmada”, lembra Tornero. “Além disso, a escavação ainda não atingiu a profundidade total do sítio.”
Novas escavações, previstas para o próximo verão europeu, entre junho e setembro, devem aprofundar a investigação sobre o uso da caverna e esclarecer o papel dessas comunidades na exploração de recursos em ambientes extremos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/L/0/plTfEiSCGTFosHGMgE3w/they-werent-burned-by.jpg)


