O Grande Pergaminho de Isaías, o manuscrito mais antigo e completo do Livro de Isaías, foi originalmente criado a partir de dois rolos separados, segundo uma nova pesquisa que analisou as propriedades de fabricação das folhas, datadas do século 2 a.C. e que juntas formam um pergaminho com 7,34 metros de comprimento.
Descoberto em Qumran, na Cisjordânia, em 1947, junto a outros Manuscritos do Mar Morto, o pergaminho da importante obra bíblica se destaca por sua notável conservação e semelhança com textos da era medieval, o que reflete uma boa transmissão textual ao longo dos séculos.
De acordo com o site The Times of Israel, a confirmação da descoberta chega em meio a outras novidades sobre o manuscrito, já que ele será exibido em sua totalidade numa exposição do Museu de Israel no início de 2026 — um tipo de apresentação que não ocorre desde 1968.
Diferenças nos detalhes
A Bíblia é um livro sagrado escrito por diferentes autores ao longo de vários períodos históricos, o que torna cada manuscrito antigo da obra um achado único. O Grande Pergaminho de Isaías retrata passagens importantes do Antigo Testamento e da Bíblia Hebraica./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/d/M/VpfGupTp6UbLV39Qj5Mg/img-5902-300x480.webp)
Desde a descoberta do artefato, já haviam suspeitas de discrepâncias entre as folhas que abrangiam os capítulos de 1 a 33 e os capítulos 34 a 66, segundo a divisão medieval de textos da Bíblia. Um estudo de 2021 feito pela Universidade de Groningen, nos Países Baixos, usou inteligência artificial (IA) para comprovar pequenas diferenças na caligrafia das duas seções e alegar que os pergaminhos resultaram do compilado de dois escribas.
Dessa vez, o pesquisador Marcello Fidanzio, da Università della Svizzera italiana, procurou se atentar às propriedades materiais do manuscrito. Entre as diferenças apontadas por ele, estão dobras de páginas, padronizações de colunas, sinais de escrita, costuras de reforço e estados de conservação.
“O próprio pergaminho nos informa sobre sua bisseção preexistente e o subsequente processo de unificação”, diz o professor. “Existem muitos cenários possíveis, e não sabemos se as duas partes foram criadas separadamente ao mesmo tempo, ou se a segunda foi produzida posteriormente para completar a primeira.”
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Quando os manuscritos foram criados?
Um estudo de 2025 também usou IA, além de datação de radiocarbono, na análise dos Manuscritos do Mar Morto, incluindo o Grande Pergaminho de Isaías. Concluiu-se que o artefato era mais antigo que o imaginado, com suas duas seções tendo sido criadas com até décadas de diferença.
Uma distância temporal tão grande de fabricação poderia explicar diferenças já citadas e muitas outras, como assimetrias em números de caracteres e comprimento das folhas entre a primeira e a segunda parte. Nesse aspecto, novos estudos serão necessários para se obter mais respostas.
“O manuscrito não era estático, mas cheio de vida, pois evoluiu junto com aqueles que o liam”, afirma Fidanzio. “Não temos apenas informações sobre a produção deste pergaminho, mas também sobre a forma como foi usado, o que considero incrivelmente fascinante, porque pela maneira como alguém trata um objeto, compreendemos o que lhe é importante”.
(Por Fernanda Zibordi)08

