Estrutura fortificada construída ao longo da China é, na verdade, um conjunto de construções. Conheça a história dela — Foto: Hao Wei/Wikimedia Commons

Reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1987 e como uma das 7 Novas Maravilhas do mundo em 2007, a Grande Muralha da China é um dos feitos arquitetônicos mais importantes da humanidade. Todo ano, estima-se que pelo menos 10 milhões de turistas visitam a China só para vê-la.

Ao contrário do que possa parecer a princípio, a Grande Muralha não é contínua, mas sim um conjunto de muralhas menores, trincheiras, torres de vigia, abrigos e fortificações. Juntas, essas estruturas somam 21 mil km de extensão aproximadamente (as muralhas sozinhas dão cerca de 9 mil km). Essa quilometragem é suficiente para dar meia volta no planeta: é mais que a distância em linha reta entre São Paulo e Tóquio, por exemplo (18,5 mil km) ou entre Manaus e Xangai (19,2 mil km).

Essas muralhas que, juntas, compõem a Grande Muralha, não foram construídas ao mesmo tempo. Na verdade, a construção levou cerca de 2 mil anos: começou na Dinastia Qin (221 a 206 a.C.) com estruturas de barro, pedra e madeira e atravessou os séculos, culminando na Dinastia Ming (1388 a 1644 d.C.), quando o trabalho na muralha deixou de ser prioridade. Recentemente, como contamos aqui na GALILEU, descobriu-se que sua construção começou pelo menos 300 anos antes do que se imaginava.

Foi na Dinastia Ming que as partes mais modernas e robustas foram construídas. Elas chegam a ter 7,6 metros de altura, 4,6 a 9,1 metros de largura na base e de 2,7 a 3,7 metros de largura no topo (suficiente para a passagem de tropas ou carroças). Em intervalos regulares ao longo da muralha, foram instalados postos de guarda e torres de vigia.

Grande demais para dar certo

A Grande Muralha começa a leste em Shanhaiguan, na província de Hebei, e termina a oeste em Jiayuguan, na província de Gansu. Seu delineado frequentemente acompanha o cume das colinas ao sul do planalto da Mongólia (vasta região que engloba o Deserto de Gobi, grande parte da Mongólia, o norte da China e o sul da Rússia).

O objetivo de sua construção era proteger a China da invasão de estrangeiros — originalmente, povos nômades e, na Dinastia Ming, os mongóis. Porém, como era descontínua, os invasores não encontravam dificuldade em atravessá-la, bastando procurar os pontos abertos ou, como era mais comum, fazer acordos com traidores e simplesmente entrar pelos portões controlados.

Tanto é que a Grande Muralha foi transpassada várias vezes. Gengis Khan (1162-1227 d.C.), fundador do Império Mongol, comandou suas tropas em muitas dessas transgressões, e essas invasões foram essenciais na deposição da Dinastia Jin (1115-1234 d.C.) e na fundação da Dinastia Yuan (1271-1368 d.C.). Essa dinastia, criada em 1271 por Kublai Khan, neto de Gengis Khan, governou a China até 1368 como parte do Império Mongol.

Hoje em dia, a maior parte da Grande Muralha está em ruínas — segundo informes recentes, pelo menos 1.962 km já se foram completamente, o que representa pelo menos 20% da extensão da muralha Ming. O maior vilão não foram invasores, e sim a chuva e o vento, que erodiram as pedras da construção. Além disso, muitos aldeões locais retiravam pedras da muralha para construir suas próprias casas (hoje em dia, retirar peças da muralha é passível de multa).

Para atrair turistas e honrar o que considera ser um símbolo nacional, a China iniciou trabalhos de restauração em 1957, na chamada Seção Badaling, que é a parte mais famosa e acessível do monumento, localizada a cerca de 70 km de Pequim. Hoje, esse trecho está totalmente restaurado

Em 1970, a Grande Muralha foi aberta à visitação e, ao longo dos anos, novos trechos foram restaurados. No começo deste século, teve início um dos projetos mais ousados: a restauração de um trecho de 20 km chamado Jiankou. Trabalhando sob regras bastante rígidas para manter ao máximo a autenticidade do monumento, os pedreiros usam os tijolos de pedra originais que encontram e, quando não podem, recorrem a novos tijolos fabricados sob medida.

Atualmente, as principais seções visitáveis da Muralha são: Badaling, Mutianyu, Jinshanling, Juyongguan, Gubeikou e Jiankou. Os meses mais recomendados para os turistas são durante a primavera chinesa, de abril a junho.

(Por Victor Bianchn)

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