Essenciais para a polinização de diversas plantas de interesse humano, as abelhas se destacam por sua ampla variedade de espécies. Num estudo que propõe estimar o número de tipos de abelhas que existem em escala global, uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Wollongong, na Austrália, verificou que existem, no mínimo, entre 3.700 e 5.200 espécies de abelhas a mais do que se pensava anteriormente. Essa quantidade elevaria a estimativa para entre 24.705 e 26.164 espécies, revelando uma complexidade na classificação desses insetos ainda não totalmente explorada. Segundo a pesquisa publicada hoje na revista científica Nature Communications, há uma subnotificação de classificação das abelhas é especialmente observado na Ásia, África e Américas. Leia também: Cidade perdida do século 4 a.C. está sendo redescoberta nas margens do Rio Tigre Entre, jogue, mostre Betwarrior | Links patrocinados Adeus, Saturno: planeta desaparece do céu da tarde em fevereiro; veja calendário "Saber quantas espécies existem em um local, ou dentro de um grupo como as abelhas, é realmente importante. Isso influencia nossa abordagem à conservação, ao manejo da terra e até mesmo a questões científicas mais amplas sobre evolução e ecossistemas", afirma James Dorey, biólogo e autor do estudo, em comunicado. Como contar tantas abelhas? Estimar a diversidade de espécies de um animal que, em uma única colônia, pode ultrapassar o número de dezenas de milhares de indivíduos não é tarefa fácil. Os pesquisadores reuniram informações sobre taxonomia, listas de espécies por país, registros na literatura científica e estatísticas da riqueza de espécies para mensurar quantas espécies de abelha existem em 186 países. A pesquisa trouxe algumas constatações interessantes sobre a catalogação e variedade de abelhas no mundo. Uma delas é que nações insulares – formadas por ilhas – possuem uma maior diversidade de abelhas em comparação a nações continentais. As espécies de ilhas normalmente se classificam como endêmicas (exclusivas dessas áreas), de forma que ações de conservação são prioridade nessas áreas. Fernando de Noronha é o abrigo de população rara e pura de abelhas da espécie Apis mellifera ligustica, conhecidas por serem originárias do continente europeu e produzirem mel em grande quantidade — Foto: 潘立傑 LiChieh Pan/Flickr Fernando de Noronha é o abrigo de população rara e pura de abelhas da espécie Apis mellifera ligustica, conhecidas por serem originárias do continente europeu e produzirem mel em grande quantidade — Foto: 潘立傑 LiChieh Pan/Flickr Outro informação obtida pelo levantamento foi que o continente europeu tem relativamente poucas espécies de abelhas restantes para serem descobertas, enquanto outros continentes ainda possuem uma alta diversidade ainda pouco explorada. Como explicação, os autores dizem que essas diferenças estão relacionadas a fatores como produto interno per capita, riqueza das espécies observadas, registros de ocorrência e qualidade dos bancos de dados. Leia mais notícias: Cemitério de 2 mil anos achado no Vietnã tem esqueletos com dentes pretos Article Photo Osso achado na Espanha pode ser primeiro vestígio de elefantes de Aníbal Article Photo Dificuldades de catalogação pelo mundo Ainda que 177 novas espécies de abelhas são catalogadas todos os anos, Dorey explica que existe um “gargalo taxonômico”, em que não há especialistas o suficiente para dar conta de preencher a lacuna de catalogação num período menor que 32 anos. Dados regionais escassos, extinções e falta de financiamento para pesquisa – especialmente na África, na Ásia e nas Américas – são alguns dos desafios citados. "No entanto, mesmo em países relativamente ricos como a Austrália, existem problemas com a forma como descrevemos as espécies, especialmente porque não utilizamos dados genéticos de forma suficiente e provavelmente estamos subestimando o número de espécies que temos por esse motivo”, comenta o biólogo.

Essenciais para a polinização de diversas plantas de interesse humano, as abelhas se destacam por sua ampla variedade de espécies. Num estudo que propõe estimar o número de tipos de abelhas que existem em escala global, uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Wollongong, na Austrália, verificou que existem, no mínimo, entre 3.700 e 5.200 espécies de abelhas a mais do que se pensava anteriormente. Essa quantidade elevaria a estimativa para entre 24.705 e 26.164 espécies, revelando uma complexidade na classificação desses insetos ainda não totalmente explorada.

Segundo a pesquisa publicada hoje na revista científica Nature Communications, há uma subnotificação de classificação das abelhas é especialmente observado na Ásia, África e Américas.

“Saber quantas espécies existem em um local, ou dentro de um grupo como as abelhas, é realmente importante. Isso influencia nossa abordagem à conservação, ao manejo da terra e até mesmo a questões científicas mais amplas sobre evolução e ecossistemas”, afirma James Dorey, biólogo e autor do estudo, em comunicado.

Como contar tantas abelhas?

Estimar a diversidade de espécies de um animal que, em uma única colônia, pode ultrapassar o número de dezenas de milhares de indivíduos não é tarefa fácil. Os pesquisadores reuniram informações sobre taxonomia, listas de espécies por país, registros na literatura científica e estatísticas da riqueza de espécies para mensurar quantas espécies de abelha existem em 186 países.

A pesquisa trouxe algumas constatações interessantes sobre a catalogação e variedade de abelhas no mundo. Uma delas é que nações insulares – formadas por ilhas – possuem uma maior diversidade de abelhas em comparação a nações continentais. As espécies de ilhas normalmente se classificam como endêmicas (exclusivas dessas áreas), de forma que ações de conservação são prioridade nessas áreas.

Fernando de Noronha é o abrigo de população rara e pura de abelhas da espécie Apis mellifera ligustica, conhecidas por serem originárias do continente europeu e produzirem mel em grande quantidade — Foto: 潘立傑 LiChieh Pan/Flickr
Fernando de Noronha é o abrigo de população rara e pura de abelhas da espécie Apis mellifera ligustica, conhecidas por serem originárias do continente europeu e produzirem mel em grande quantidade — Foto: 潘立傑 LiChieh Pan/Flickr

Outro informação obtida pelo levantamento foi que o continente europeu tem relativamente poucas espécies de abelhas restantes para serem descobertas, enquanto outros continentes ainda possuem uma alta diversidade ainda pouco explorada. Como explicação, os autores dizem que essas diferenças estão relacionadas a fatores como produto interno per capita, riqueza das espécies observadas, registros de ocorrência e qualidade dos bancos de dados.

Dificuldades de catalogação pelo mundo

Ainda que 177 novas espécies de abelhas são catalogadas todos os anos, Dorey explica que existe um “gargalo taxonômico”, em que não há especialistas o suficiente para dar conta de preencher a lacuna de catalogação num período menor que 32 anos. Dados regionais escassos, extinções e falta de financiamento para pesquisa – especialmente na África, na Ásia e nas Américas – são alguns dos desafios citados.

“No entanto, mesmo em países relativamente ricos como a Austrália, existem problemas com a forma como descrevemos as espécies, especialmente porque não utilizamos dados genéticos de forma suficiente e provavelmente estamos subestimando o número de espécies que temos por esse motivo”, comenta o biólogo.

(Por Fernanda Zibordi)

Milhares de espécies ainda não identificadas mostram como o campo de pesquisa de catalogação das abelhas ainda precisa preencher lacunas de conhecimento do tema — Foto: Divulgação/James Dorey

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