No Camboja, um rato-gigante-africano conseguiu realizar feitos de destaque a ponto de ser homenageado com uma estátua. Magawa, responsável por farejar mais de 100 explosivos não detonados, rastreou mais de 140 mil metros quadrados com minas terrestres durante toda a sua vida.
O rato, treinado pela APOPO – organização que usa ratos para detectar minas terrestres –, recebeu uma homenagem no dia 3 de abril com a inauguração de uma estátua de dois metros de altura para simbolizar seus cinco anos de serviços prestados.
O monumento do roedor foi esculpido em pedra local e foi inaugurado na cidade de Siem Reap a tempo do Dia Internacional de Conscientização sobre Minas Terrestres (4 de abril), como destaca a BBC. Veja abaixo
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Farejando o perigo
Aos dois anos de idade, Magawa foi enviado para o Camboja como rato farejador de bombas. O país sofre de um risco constante de explosões de antigas minas terrestres usadas durante conflitos como a Guerra do Vietnã, com a maior taxa de amputações por minas per capita no mundo – cerca de 40 mil pessoas amputadas, segundo a APOPO.
Remover minas terrestres pode ser um desafio intenso e perigoso, de forma que sistemas de detecção animal são muito úteis para o aumento de eficiência e redução dos riscos.
O trabalho iniciado em 2016 por Magawa se estendeu por cinco anos. Utilizando seu olfato aguçado para identificar substâncias químicas em munições não detonadas e seu peso leve para percorrer zonas perigosas a humanos, o roedor “desminou” uma região equivalente a 20 campos de futebol.
A revista Smithsonian destaca que o rato era treinado para ser rápido e eficiente, arranhando a superfície do solo toda vez que sentisse o cheiro de uma mina. Como recompensa, ele poderia receber um pedaço de amendoim ou uma fatia de banana.
“Cada descoberta que ele fazia reduzia o risco de ferimentos ou morte para a população do Camboja. (…) Sua contribuição permite que comunidades no Camboja vivam, trabalhem e se divirtam sem medo de perder a vida ou membros”, diz comunicado da APOPO feito para anunciar a morte de Magawa, ocorrida em 8 de janeiro de 2022.
Em 2020, Magawa se tornou o primeiro rato a receber uma medalha de ouro da Instituição Popular de Assistência a Animais Doentes (PDSA) pelos serviços prestados como farejador. Ele se aposentou cerca de um ano depois. Uma representação da sua medalha pode ser vista no novo monumento de Siem Reap.
Apesar da morte de Magawa, seu legado ainda permanece vivo em outros ratos farejadores, que aprenderam a detectar bombas com sua assistência. O plano de Camboja é estar completamente livre dos impactos das minas terrestres em seu território até 2030.
(Por Fernanda Zibordi)


