Uma coroa real de 170 anos, considerada um dos itens mais emblemáticos do acervo do Museu do Louvre, em Paris, foi danificada durante o roubo ao local que aconteceu no último dia 19 de outubro. Agora, o objeto passará por um processo de restauração – que deve custar cerca de US$ 47 mil (R$ 245 mil, na cotação atual). O anúncio foi feito por autoridades do museu, em comunicado publicado no dia 4 de fevereiro.
Após invadirem a Galeria Apollo pulando uma janela, quatro homens usaram uma esmerilhadeira para cortar as vitrines de vidro e subtrair oito peças ligadas à coleção de Napoleão III e de sua esposa, a imperatriz Eugénie. Na fuga, porém, eles deixaram cair na calçada a coroa, que foi criada para a Exposição Universal de Paris de 1855.
Como destaca a revista Smithsonian, a aparência amassada da peça não foi causada pela queda externa. Em depoimento a senadores franceses, a diretora do Louvre, Laurence des Cars, explicou que o vidro das vitrines resistiu ao ataque, obrigando os criminosos a retirar as joias por um orifício muito estreito, que deformou o item.
Plano de restauração
A peça é adornada com 56 esmeraldas, 1.354 diamantes e oito águias douradas — símbolo imperial. A boa notícia é que a maior parte da ornamentação da coroa permanece intacta. De acordo com as autoridades do museu, todas as peças mais importantes, como os diamantes e as esmeraldas, ainda estão na sua posição de origem. Apenas pequenos fragmentos de diamante e uma das águias estão desaparecidos.
Quando a armação metálica se deformou, um ornamento em forma de palma se desprendeu. Como quase todos os elementos continuam fixados, especialistas avaliam que a intervenção poderá ocorrer sem a necessidade de reconstrução, exigindo apenas a remodelagem da estrutura.
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Para tanto, o Louvre criará um comitê científico para supervisionar os trabalhos, reunindo profissionais da própria instituição e de outros museus, como o d’Orsay e o de História Natural. Também participam representantes de cinco joalherias históricas francesas — Mellerio, Chaumet, Cartier, Boucheron e Van Cleef & Arpels.
O diretor de artes decorativas do museu, Olivier Gabet, afirma ao jornal The New York Times que a expectativa é concluir o processo até o fim do ano, quando a peça voltará à exposição pública. Ele também manifestou esperança de que os elementos desaparecidos, como a águia dourada, sejam recuperados até lá.
Símbolo do Segundo Império e da história recente
Encomendada por Napoleão III ao joalheiro oficial da família imperial, Alexandre Gabriel Lemonnier, com auxílio de um escultor e outro joalheiro, a coroa era mais leve do que a do imperador. Com a morte de Eugénie, em 1920, o Louvre adquiriu a peça. Até hoje, trata-se de uma das únicas três coroas de governantes franceses ainda existentes no país. Os quatro suspeitos do roubo foram presos, mas as demais joias continuam desaparecidas.
Quando retornar às vitrines da Galeria Apollo, a joia imperial deverá carregar não apenas o peso de sua origem no século 19, mas também a marca de um dos episódios mais dramáticos recentes da história do museu francês.
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(Por Arthur Almeida)

