Cuiabá, 20 de março de 2026 — O Sindicato dos Empregados dos Conselhos e Ordens de Fiscalização e Entidades Afins do Exercício Profissional do Estado de Mato Grosso (Sindifisc-MT) denuncia que servidores do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT) continuam trabalhando em meio a impasse salarial e a um cenário de insegurança na sede da autarquia, mesmo após relatórios técnicos apontarem risco estrutural no prédio. Na última quarta-feira (19), os trabalhadores realizaram assembleia para decidir os próximos passos, incluindo paralisação e greve.
A denúncia estrutural se apoia em documentos oficiais. Relatório da Defesa Civil de Cuiabá classificou o imóvel como de risco crítico, apontou falhas estruturais, infiltrações e possibilidade de colapso parcial ou progressivo, além de recomendar medidas emergenciais, restrição de uso e providências técnicas imediatas. O caso também chegou ao Ministério Público do Trabalho, que converteu a notícia de fato em inquérito civil e reconheceu a necessidade de intervenção urgente para proteger a integridade física dos trabalhadores.

Para o presidente do Sindifisc-MT, Moisés Martins, o problema ultrapassou o limite do aceitável. “O que está em jogo não é apenas negociação salarial. Estamos falando de segurança, de integridade física e de respeito aos trabalhadores. Existe laudo, recomendação técnica e existe preocupação real da categoria”, afirmou.
De acordo com a entidade, o problema não é recente. Um laudo elaborado em 2025, após o colapso da área de convivência da sede, já apontava deficiência estrutural, deterioração da madeira, ataque biológico, ausência de manutenção preventiva e recomendava a interdição da cobertura remanescente, além da desmontagem de outras estruturas executadas em conjunto, como a cobertura da garagem e da calçada dos fundos.
Mesmo com esse histórico, o sindicato avalia que a resposta da administração foi insuficiente. “A categoria acompanha isso há muito tempo. Já houve colapso, depois veio a vistoria da Defesa Civil e, agora, a atuação do Ministério Público do Trabalho. Não dá mais para tratar essa situação como se fosse normal”, disse Moisés Martins.
Em ofício encaminhado ao CRMV-MT, o Sindifisc-MT pediu medidas urgentes, como adoção de home office para os empregados administrativos, preservação da frota fora da área de risco e abono de inconsistências de ponto causadas pela impossibilidade de registro presencial. No documento, a entidade registra que os empregados não podem ser obrigados a entrar em área de perigo para cumprir a jornada.

Além disso, o sindicato acionou o Ministério Público do Trabalho, apontando descumprimento da interdição recomendada pela Defesa Civil e manutenção de atividades presenciais em ambiente considerado inseguro. No documento, pediu fiscalização urgente, adoção de teletrabalho e medidas para impedir a exposição dos trabalhadores ao risco.
A insatisfação dos servidores também envolve o Acordo Coletivo de Trabalho. Segundo o Sindifisc-MT, não houve resposta efetiva da gestão sobre os reajustes e demais reivindicações, o que levou à convocação da assembleia desta quarta-feira. “O trabalhador não pode conviver ao mesmo tempo com insegurança, demora nas respostas e discurso de normalidade. A assembleia foi chamada porque a categoria quer ser ouvida e quer encaminhamento real”, afirmou Moisés Martins.
O Ministério Público do Trabalho recomendou ao CRMV-MT restringir imediatamente o uso das áreas críticas, contratar avaliação técnica especializada, transferir trabalhadores de áreas comprometidas para local seguro e garantir que os empregados possam interromper atividades em situação de risco grave e iminente. O órgão também advertiu que o descumprimento poderá levar à adoção de medidas judiciais.
Para o Sindifisc-MT, a assembleia marca um momento decisivo. “A categoria vai deliberar com responsabilidade. Mas a verdade é que os trabalhadores chegaram ao limite. O sindicato está fazendo sua parte: denunciando, documentando e cobrando providências. Agora, a sociedade também precisa saber o que está acontecendo”, concluiu Moisés Martins.
O presidente do sindicato também defendeu mais transparência sobre o uso dos recursos do Conselho. Segundo ele, além das preocupações com a segurança da sede e com a pauta salarial, a entidade pretende buscar esclarecimentos sobre concessão de diárias internacionais e eventuais reajustes considerados elevados para cargos comissionados e assessorias. “Se há argumento de cautela fiscal para negar avanços aos trabalhadores, então também precisa haver clareza total sobre outros gastos da gestão. O que a categoria quer é transparência, equilíbrio e respeito com quem está na ponta”, declarou.

Moisés Martins também questionou a narrativa apresentada pela atual gestão sobre a reforma da sede. Para ele, o discurso sobre a necessidade de intervenção estrutural não é novo e vem sendo repetido há anos, sem solução efetiva. “Estamos falando de um problema que, segundo a própria administração, se arrasta há quase uma década. Nesse período, o atual presidente Aruaque Lotufo, já integrava a diretoria do Conselho. A categoria questiona por que medidas concretas não foram implementadas antes e por que esse tema ganha maior visibilidade justamente em um momento de contexto eleitoral interno”, afirmou.
Segundo ele, o sindicato defende que todas as informações sejam tratadas com responsabilidade e transparência. “Não cabe à entidade fazer julgamento, mas é nosso papel cobrar coerência entre o discurso e a prática. Quando há divergência entre o que é comunicado e o que os documentos técnicos apontam, isso precisa ser esclarecido. A sociedade e os trabalhadores têm o direito de saber exatamente o que está acontecendo”, finalizou.


