Arqueólogos da Universidade de Bournemouth identificaram estruturas de madeira incomuns que foram trazidas pela maré até a praia de Studland, no sul da Inglaterra. A descoberta, feita após a passagem da tempestade Chandra, pode estar ligada ao naufrágio de um navio mercante conhecido como The Fame, que teria afundado na região em 1631.
As peças foram encontradas em 28 de janeiro na baía de Studland, área administrada pelo National Trust e analisadas por uma equipe liderada pelo arqueólogo marítimo Tom Cousins. Ele acredita que os fragmentos pertencem ao chamado naufrágio do Canal de Swash, descoberto originalmente na década de 1990 em uma importante rota de acesso ao porto de Poole.
Durante trabalhos de pesquisa feitos em 2013, partes da embarcação estavam ausentes. pesquisadores acreditam que a nova descoberta pode corresponder justamente a uma dessas partes perdidas.
A estrutura exposta mede cerca de 6 metros de comprimento por 2 de largura, e provavelmente corresponde a uma parte do casco. Ela inclui pelo menos 15 “cavernas”, nome dado às peças curvas que formam o esqueleto do navio e unidas por cavilhas de madeira a tábuas externas. Enquanto as cavernas apresentam sinais de erosão, as tábuas externas estão em excelente estado de conservação.
Uma grande camada de tábuas internas está ausente, o que sugere que os restos ficaram enterrados na areia desde a década de 1630 e só foram expostos ocasionalmente ao longo dos séculos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/G/W/8kJ9V8RUiOVJdbtuVxcQ/tom-drupal.jpg)
Registros históricos e análises anteriores indicam que o naufrágio é de origem holandesa ou alemã e, muito provavelmente, corresponde ao navio mercante holandês The Fame. A embarcação teria cerca de 40 metros de comprimento, 10 de largura e até 15 de altura, com capacidade para transportar mais de 40 canhões para defesa contra piratas durante viagens ao Caribe em busca de sal.
Segundo relatos históricos, o navio teria perdido a ancoragem durante uma tempestade e encalhado em um banco de areia próximo à costa, onde acabou se partindo ao meio. Os 45 tripulantes conseguiram abandonar a embarcação com segurança, mas os destroços foram saqueados pouco depois por moradores da região.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/V/w/KeWQGsRVW2M1s1VGlfBA/ship-drupal-summary.jpg)
Escavações anteriores já haviam revelado que o navio possuía elementos decorativos raros, indicando um alto status. Entre os achados, havia uma cabeça de homem esculpida em madeira, possivelmente representando um soldado romano ou holandês, além de um leme de 8,4 metros e outros artefatos hoje exibidos no Museu de Poole.
A confirmação da origem das madeiras encontradas em Studland dependerá de testes de dendrocronologia, técnica que analisa os anéis de crescimento das árvores para determinar a idade e a procedência da madeira.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/q/S/xhFwBrSDmBTH5okUoWJQ/rudder-drupal.jpg)
Os pesquisadores solicitaram autorização e financiamento à Historic England para escavar as peças. O naufrágio do Canal de Swash é um dos 57 protegidos pela Lei de Proteção de Naufrágios Inglesa, assinada em 1973.
“O naufrágio no Canal de Swash é um dos 57 naufrágios ao redor da costa da Inglaterra designados pela Lei de Proteção de Naufrágios de 1973. Restos de embarcações anteriores a 1700 com datação precisa são excepcionalmente raros. Não podemos afirmar com certeza que esses fragmentos sejam daquele local do naufrágio, mas é uma possibilidade intrigante”, conta Hefin Meara, arqueólogo marítimo da Historic England, em comunicado.
Caso a ligação com o The Fame seja confirmada, os fragmentos poderão integrar o acervo do Museu de Poole. Até que a escavação seja autorizada, as autoridades pedem que visitantes evitem tocar ou danificar as peças expostas, ajudando a preservar o sítio arqueológico.
(Por Carina Gonçalves)

