No bairro de Pietralata, localizado nos subúrbios da cidade de Roma, na Itália, foi descoberto um complexo funerário do início do período republicano contendo um par de túmulos de câmaras escavadas na rocha. Um trecho de uma estrada antiga, um edifício de culto e duas grandes bacias de pedra também estavam entre os achados arqueológicos.
A descoberta foi comunicada em 14 de janeiro pela Superintendência Especial de Roma do Ministério da Cultura e é resultado do trabalho de um programa de planejamento urbano amplo que abrange uma área de cerca de quatro hectares da região.
Por tumbas monumentais
As escavações estavam sendo realizadas na Via di Pietralata, caminho que percorre os subúrbios a nordeste da capital italiana e que tem seu potencial arqueológico explorado desde 1977. Na época, escavações arqueológicas revelaram evidências de assentamentos datados entre os séculos 8 e 6 a.C. – período da monarquia romana.
A descoberta da vez remonta a eventos ocorridos mais de três séculos depois, com o início da República de Roma (509 – 27 a.C.). O complexo funerário recém-descoberto foi escavado em um talude abaixo da via e consiste basicamente em dois túmulos, datados entre os séculos 4 e 3 a. C. Dentro deles, os arqueólogos encontraram um sarcófago de tufo vulcânico, além de objetos como vasos, jarras, um espelho e uma pequena xícara.
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Uma das tumbas, inclusive, continha restos mortais de um crânio masculino com evidências de perfuração cirúrgica. Muitos dos elementos achados nas escavações indicam que o complexo pertencia a uma família rica e de alto status social.
Combo de descobertas
Outra descoberta na Via di Pietralata foi uma antiga estrada com trechos de terra batida e partes escavadas diretamente na rocha vulcânica. Segundo os arqueólogos, a rota permaneceu sendo utilizada até o período imperial e foi modificada com bordas de alvenaria, antes de cair em desuso. Até hoje ela apresenta sulcos de roda visíveis.
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Já no pequeno edifício de culto, descobriram-se estruturas que podem ser interpretadas como a base de um altar, provavelmente associado ao culto de Hércules, divindade protetora com importantes santuários encontrados em rotas vitais de Roma, como a Via Tiburtina. As duas banheiras maciças também podem estar conectadas a atividades ritualísticas.
“É em contextos como este, aparentemente distantes dos sítios mais famosos da antiga metrópole, que emergem elementos que enriquecem a narrativa arqueológica de Roma como uma cidade extensa e que contribuíram significativamente para o seu desenvolvimento. Os subúrbios modernos revelam-se, assim, repositórios de memórias profundas, ainda por explorar”, completa a superintendente
(Por Fernanda Zibordi)

