Interpretação artística do Ahshislesaurus wimani, dinossauro gigante de bico de pato que viveu há aproximadamente 75 milhões de anos — Foto: Sergey Krasovskiy/NMMNHS

Quase um século após sua descoberta, um conjunto de fósseis escavado no Novo México (EUA) acaba de ganhar um novo nome e lugar na história evolutiva dos dinossauros herbívoros que viveram no fim do Cretáceo. Na região, pesquisadores identificaram uma nova espécie de dinossauro bico-de-pato, batizada Ahshislesaurus wimani, que viveu há cerca de 75 milhões de anos.

O estudo, publicado no Boletim do Museu de História Natural e Ciência do Novo México, analisou os fósseis, incluindo parte do crânio, mandíbula inferior e vértebras, que foram encontrados em 1916 na Formação Kirtland e estavam depositados no Museu Nacional de História Natural Smithsonian, nos Estados Unidos.

De inícios, esses ossos haviam sido originalmente atribuídos ao gênero Kritosaurus, um dos hadrossaurídeos mais conhecidos. A reavaliação detalhada do material, entretanto, mostrou diferenças anatômicas suficientes para a criação de um novo gênero e espécie.

Uma “vaca do Cretáceo” gigante

“Os hadrossauros às vezes são chamados, de forma pitoresca, de ‘as vacas do Cretáceo’”, disse Steven Jasinski, do Departamento de Ciências Ambientais e Sustentabilidade da Universidade de Ciência e Tecnologia de Harrisburg (HU), em comunicado. “Embora essa talvez não seja uma metáfora perfeita, eles provavelmente viviam em manadas e teriam uma presença marcante nos ambientes do norte do Novo México, perto do final do Cretáceo.”

Segundo os pesquisadores, o A. wimani podia atingir cerca de 12 metros de comprimento e provavelmente apresentava uma cabeça achatada e uma crista óssea na parte inferior do focinho. Esses animais viveram em bandos e teriam sido presença marcante nas paisagens do que hoje é o norte do Novo México.

Fósseis do Ahshislesaurus wimani analisados no estudo — Foto: Sergey Krasovskiy/ NMMNHS
Fósseis do Ahshislesaurus wimani analisados no estudo — Foto: Sergey Krasovskiy/ NMMNHS

Crânios contam a história

A identificação do novo dinossauro partiu de uma regra básica da paleontologia, de que os crânios fazem diferença. Ao comparar o material com o de outros hadrossaurídeos, a equipe observou que o formato e as proporções do crânio não correspondiam ao Kritosaurus, embora os dois fossem parentes relativamente próximos. As análises indicam que as linhagens evolutivas desses animais se separaram relativamente tarde na história do grupo.

Revisões desse tipo são comuns conforme novos fósseis são descobertos e métodos analíticos avançam, espécimes antigos passam a ser reinterpretados muitas vezes revelando espécies inteiramente novas que estavam “escondidas” em coleções de museus. “Os paleontólogos estão encontrando cada vez mais dificuldades para realizar trabalhos de campo”, diz Jasinski.

A identificação do Ahshislesaurus wimani reforça a ideia de que os hadrossaurídeos eram mais diversos e coexistiam com maior sobreposição no final do Cretáceo do que se imaginava. Espécies aparentadas dividiam os mesmos ambientes, levantando questões sobre como se organizavam ecologicamente, seja por diferenças na alimentação, no comportamento ou no uso do espaço.

(Por Carina Gonçalves)

35 Visitas totales
34 Visitantes únicos