Uma iniciativa que mistura história e numismática (o estudo de cédulas, moedas e medalhas) promete mobilizar moradores e turistas em São Francisco, nos Estados Unidos. Pelo terceiro ano consecutivo, a empresa Witter Coin organizará uma caça ao tesouro pela cidade, oferecendo prêmios que somam mais de US$ 50 mil (cerca de R$ 250 mil na cotação atual).
“Esta cidade foi construída em torno da busca pelo ouro”, afirma Seth Chandler, CEO e proprietário da Witter Gold, em entrevista ao canal KTVU. “Queríamos criar algo que trouxesse esse espírito de volta. Algo real, tangível e enraizado na história de São Francisco.”
Herança da corrida do ouro
A escolha do local não é aleatória. A região onde hoje está São Francisco é habitada há mais de 5 mil anos, mas sua transformação radical ocorreu a partir da corrida do ouro. Na véspera desse período, em 1847, menos de 470 pessoas viviam na cidade. Apenas dois anos depois, em 1849, esse número saltou para mais de 25 mil, impulsionado por aventureiros em busca de riqueza, conforme contextualiza a Popular Science.
O grande prêmio da competição é um exemplar conhecido como “Humbert Slug” de 1851 — uma peça octogonal que, tecnicamente, não é uma moeda convencional dos Estados Unidos. Trata-se de um lingote cunhado pelo Escritório Oficial de Ensaios de Ouro, sob responsabilidade do ensaiador Augustus Humbert.
Com cerca de 2,5 onças (ou 71g) de ouro e estampando a imagem de uma águia-careca, o objeto é considerado uma das maiores e mais emblemáticas peças desse tipo, segundo a revista Popular Science. Seu valor é avaliado em aproximadamente US$ 25 mil (R$ 125 mil).
Como funciona a caça ao tesouro
A dinâmica da competição foi pensada para ampliar o engajamento do público. De acordo com uma publicação da empresa nas redes sociais, pistas serão divulgadas a cada hora ao longo do dia 25 de abril, um sábado. Além da peça principal, outras nove moedas históricas estarão escondidas em diferentes pontos da cidade.
Todos os locais escolhidos ficam em “bairros icônicos de São Francisco”, e os organizadores garantem que não será necessário escavar ou invadir propriedades para encontrar os itens — um cuidado importante para evitar riscos e danos. Mais do que uma disputa, a ação busca conectar passado e presente por meio de uma experiência concreta, mantendo vivo o fascínio pelo ouro.
(Por Arthur Almeida)


