Estudos sobre elementos simbólicos e ritualísticos presentes na múmia seguem sendo realizados pela equipe de pesquisa — Foto: Marzena Ożarek-Szilke/Universidade de Wrocław

Preservado como parte do acervo do Museu Arquidiocesano de Wrocław, na Polônia, desde 1914, o corpo de um menino egípcio que viveu há mais de 2 mil anos teve suas informações perdidas durante os conflitos da 2ª Guerra Mundial. Um novo estudo, publicado em março de 2026 na revista científica Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage, no entanto, conseguiu realizar a primeira análise detalhada da múmia.

Entre as descobertas, está a de um objeto ritualístico, antes oculto, preservado sob o peito do menino. Os avanços feitos pelos pesquisadores com o estudo dos restos mortais aumentam a compreensão moderna sobre as complexas técnicas de mumificação egípcia.

Segredos por trás de bandagens

Com o apagamento do registro histórico da múmia na guerra, os pesquisadores precisaram encontrar outras formas de saber informações sobre a origem e a vida do menino. Exames de radiografia, tomografias computadorizadas – que fazem uma varredura no corpo sem danificá-lo e estudos dos tecidos moles preservados – permitiram definir a idade e sexo do corpo, assim como identificar sinais de doenças. Veja abaixo:

O rosto da criança é visível, mas provavelmente também havia sido coberto por bandagens e até mesmo uma máscara — Foto: Marzena Ożarek-Szilke/Universidade de Wrocław
O rosto da criança é visível, mas provavelmente também havia sido coberto por bandagens e até mesmo uma máscara — Foto: Marzena Ożarek-Szilke/Universidade de Wrocław

A pesquisa diz que a múmia pertencia a uma menino que morreu por volta dos oito anos de idade. As alterações de embalsamento no corpo incluem a remoção do cérebro através da cavidade nasal e da maioria dos órgãos internos.

“A cabeça e o pescoço estão parcialmente descobertos e escuros, com crostas brancas de sal. O rosto de uma criança é visível, pois a maior parte das bandagens foi removida. Há uma camada perceptível de substância de embalsamamento marrom-escura na cabeça e no pescoço, que reforça as bandagens. Os pesquisadores especulam que o rosto da criança pode ter sido originalmente coberto por uma máscara”, descreve um comunicado da Universidade de Wrocław.

Pelo corpo não apresentar traumas físicos nem sinais claros de doenças, a causa da morte do menino egípcio ainda é incerta. Porém, as informações obtidas pelas análises do corpo ajudaram os pesquisadores a estimar que ele provavelmente veio de uma família de classe média durante o Período Ptolomaico (cerca de 332 a 30 a.C.).

Exames de tomografia permitiram que os pesquisadores estudassem as estruturas internas da múmia sem danificar o material conservador por mais de 2 mil anos — Foto: Marzena Ożarek-Szilke/Universidade de Wrocław
Exames de tomografia permitiram que os pesquisadores estudassem as estruturas internas da múmia sem danificar o material conservador por mais de 2 mil anos — Foto: Marzena Ożarek-Szilke/Universidade de Wrocław

Traçando a história de uma múmia

“Este não é o fim da pesquisa. Ainda estamos trabalhando na múmia, pois uma radiografia revelou a presença de um objeto no peito – pode ser um papiro contendo, por exemplo, o nome do menino”, afirma Agata Kubala, pesquisadora da Universidade de Wrocław e uma das autoras do estudo, em comunicado.

Para que mais detalhes desse e de outros elementos presentes na múmia sejam compreendidos, os pesquisadores precisam ser extremamente cuidadosos por estarem manuseando materiais com milhares de anos de história e extremamente vulnerável a danos.

Os cientistas afirmam que estudos sobre a iconografia da cartonagem que envolve o corpo também estão sendo feitos para que mais provas fundamentem a teoria de que o jovem seja originário da região de Aswan, no sul do território egípcio às margens do rio Nilo.

(Por Fernanda Zibordi)