Espécime macho da espécie de aranha recém-descoberta Pikelinia floydmuraria — Foto: Leonardo Delgado-Santa

Dito tudo isso, a notícia: uma equipe de pesquisadores sul-americanos escobriu uma nova espécie de aranha tecelã de fendas em Tolima, na Colômbia e resolveu batizá-la Pikelinia flolydmuraria. O nome, caso você não tenha pegado a referência, faz homenagem à lendária banda de rock britânica Pink Floyd.

As descobertas do novo estudo, que foi publicado na revista Zoosystems and Evolution em 18 de fevereiro, contribuíram de forma significativa para pesquisas mais amplas sobre aranhas sinantrópicas — espécies que se adaptaram a ambientes urbanos e próximos aos seres humanos.

Mapa da distribuição das espécies de Pikelinia na Colômbia — Foto: Zoosystems and Evolution
Mapa da distribuição das espécies de Pikelinia na Colômbia — Foto: Zoosystems and Evolution

aranha recém-identificada do gênero Pikelinia, que mede apenas 3 a 4 milímetros de tamanho, recebeu seu nome tanto em referência à música da banda quanto ao seu habitat. O termo “muraria”, derivado do latim para “parede”, reflete o costume da aranha de viver e construir teias em frestas e paredes de edifícios, casas e áreas urbanas. Ao mesmo tempo, faz alusão ao álbum “The Wall” (“A Parede”, em inglês), do Pink Floyd. Boa sacada, não?

Apesar de pequena, a P. flolydmuraria pode desempenhar um papel importante nos ecossistemas urbanos. Segundo um comunicado, os pesquisadores descobriram que esses animais que ajudam no controle de pragas domésticas são caçadoras habilidosas, alimentando-se principalmente de formigas, moscas, mosquitos e besouros — alguns deles considerados incômodos e transmissores de doenças.

Eles também puderam observar que essas aranhas são capazes de capturar presas até seis vezes maiores que elas e frequentemente constroem teias perto de luzes artificiais, onde insetos são naturalmente atraídos pelo brilho. Esse comportamento predatório da espécie é uma forma eficaz que encontraram para obter alimento, além de servir como controle de pragas em áreas urbanas.

Item A: P. floydmuraria fêmea; itens B, C e D: P. floydmuraria macho; itens E e F: P. floydmuraria fêmea juvenil, de Tolima, atacando uma barata na teia — Foto: Julio C. González-Gomez
Item A: P. floydmuraria fêmea; itens B, C e D: P. floydmuraria macho; itens E e F: P. floydmuraria fêmea juvenil, de Tolima, atacando uma barata na teia — Foto: Julio C. González-Gomez

A pesquisa também trouxe informações sobre outra espécie que pode ser próxima da Pikelinia flolydmuraria: a chamada Pikelinia fasciata, originária das Ilhas Galápagos, identificada em 1902. Os pesquisadores, pela primeira vez, descreveram completamente a anatomia feminina da espécie de Galápagos.

As aranhas fêmeas possuem órgãos reprodutivos compostos por tubos longos e finos em formato de “S”. Além disso, em áreas urbanas, elas podem ser encontradas em frestas e rachaduras de paredes de construções, um espaço que pode ser dividido entre 20 e 30 aranhas por metro quadrado.

Item A: vistas dorsal da espécie Pikelinia fasciata fêmea de Galápagos; itens B e C: vista dorsal do órgão reprodutivo feminino — Foto: Andrea C. Román
Item A: vistas dorsal da espécie Pikelinia fasciata fêmea de Galápagos; itens B e C: vista dorsal do órgão reprodutivo feminino — Foto: Andrea C. Román

Comparações entre as duas espécies revelaram também algumas semelhanças, principalmente nas estruturas reprodutivas dos machos. Isso sugere uma possível ligação evolutiva, apesar de estarem separadas pelo Oceano Pacífico. Entretanto, o estudo não esclarece se essas características refletem uma ancestralidade compartilhada ou adaptações ambientais similares.

Apesar das descobertas, as espécies podem ser diferenciadas por suas pernas. A aranha colombiana possui cores sólidas, já a espécie de Galápagos tem anéis mais escuros em contraste. As aranhas fêmeas de Galápagos, também apresentam órgãos reprodutores mais curtos e retos em comparação com as fêmeas colombianas.

A descoberta da P. flolydmuraria representa apenas a segunda espécie registrada desse gênero na Colômbia, o que mostra o quanto ainda se desconhece sobre esses animais que habitam ambientes urbanos. Agora, os pesquisadores sul-americanos defendem estudos futuros baseados em DNA para compreender melhor as origens da espécie, assim como sua evolução e até que ponto ela atua como reguladora natural de pragas urbanas.

Agora, se você encontrar uma dessas aranhas por aí, não precisa se assustar. Quem sabe não é um bom momento para ouvir Pink Floyd?

(Por Sarah Macedo)